Sérgio Rezende se prepara para filmar "Zuzu Angel"

O cineasta Sérgio Rezende recontará a história de Zuzu Angel, em filme homônimo, produzido por Joaquim Vaz de Carvalho. O início da filmagem está previsto para quinta-feira, no Rio. O elenco traz Patrícia Pillar no papel-título Zuzu, mineira que foi para o Rio, tornou-se estilista, fez sucesso no prêt-à-porter internacional e teve um filho (Stuart) militante da luta armada perseguido e morto pela repressão da ditadura militar, e foi ela própria vítima da truculência do governo nacionalista. O núcleo central terá ainda Daniel de Oliveira (Stuart), Leandra Leal (Sônia, mulher de Stuart) e Rejane Alves (Hildegard Angel). Paulo Betti repete aqui o capitão Carlos Lamarca, personagem protagonizado por ele em uma outra cinebiografia dirigida por Rezende, Lamarca. E Elke Maravilha, que foi uma das principais modelos da estilista, será interpretada na história por Luana Piovani, fará uma participação especial como uma cantora de cabaré. Outros nomes confirmados são Angela Vieira (Lúcia), Angela Leal (Elaine), Othon Bastos (Brigadeiro), Flavio Bauraqui (Mota), Ivan Cândido (Capelão), Antonio Pitanga (Policial Gentil), Aramis Trindade (Tenente), Caio Junqueira (Alberto) e Fernanda Freitas (Ana). Zuzu morreu em um acidente de trânsito, na saída do túnel do morro Dois Irmãos, que hoje leva hoje o seu nome, em circunstâncias duvidosas. No início dos anos 1980, Walter Salles chegou a esboçar um projeto sobre a vida de Zuzu e de seu filho Stuart, que teria Fernanda Montenegro como protagonista. Jorge Durán, o roteirista e diretor de A Cor de Seu Destino, até escreveu um roteiro que foi apresentado à colunista social Hildegard Angel, filha e irmã, respectivamente, dos biografados. Mas o projeto não foi adiante. "Não era o momento certo para ela, a situação política ainda era delicada, embora eles tivessem todas as condições de fazer o filme", conta Vaz de Carvalho, que era amigo de Stuart e conheceu a família Angel. "Quando eu e o Sérgio terminamos Mauá, combinamos de procurar outras coisas para fazer. Foi então que tive a idéia de voltar à Hildegard. Eu disse para ela que o meu filho mais velho sabia quem era a Zuzu, o do meio mais ou menos e o mais novo achava que era apenas nome de túnel. Já estava na hora de contar essa história." Especialista em cinebiografias de personagens históricos, Rezende define Zuzu como um filme de época que diz muito sobre o momento atual. "Fala sobre uma pessoa que lutou pelo respeito aos direitos humanos", disse ele, em entrevista ao Estado. "É como Maria, que tem um filho que quer mudar o mundo. Quando matam esse filho, ela vira Antígona." No roteiro escrito por Marcos Bernstein, a ação do filme está limitada a maio de 1971, quando Stuart é assassinado no quartel da polícia do Exército, a abril de 1976, quando Zuzu morre vítima de um acidente de carro na saída do túnel Dois Irmãos. O projeto está orçado em R$ 6 milhões, segundo Vaz de Carvalho. Com co-produção da Warner, o filme tem como principais patrocinadores Petrobrás e Furnas.

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