Senna dirigiu Gil em "Nós, por Exemplo"

Orlando Senna é baiano (de AfrânioPeixoto), como o ministro Gilberto Gil (de Salvador, criado emItuaçu). Cineasta, roteirista e professor de cinema, Sennaocupou, até 31 de dezembro, a subsecretaria de Audiovisual dogoverno de Benedita da Silva, no Rio.O cineasta conhece Gilberto Gil desde os efervescentesanos 60. Coube a ele dirigir, em 1964, o show Nós, porExemplo, que integrou o calendário inaugural do Teatro VilaVelha, em Salvador. Além de Gil, o espetáculo mobilizou os entãojovens aspirantes à condição de estrela da MPB, Caetano Veloso,Maria Bethânia, Tom Zé e Maria da Graça (Gal Costa). Ainda hoje,Orlando Senna expõe, emoldurado na parede de seu apartamento emIpanema (onde vive com a mulher, a atriz Conceição Senna), ocartaz de Nós, por Exemplo.Orlando e Conceição viveram boa parte dos anos 90 emCuba. Ela comandou o programa de TV Una Ventana para ElMundo (Uma Janela para o Mundo). Ele foi professor ediretor da Escola Internacional de Cinema, TV e Vídeo de SanAntonio de los Baños, nos arredores de Havana. A instituição,destinada ao atendimento de alunos da América Latina, Caribe,África e Ásia, é mantida pela Fundação do Novo CinemaLatino-Americano, presidida por Gabriel García Márquez. Aidentificação de Senna com Cuba vem dos anos 80, quando realizou, em parceria com Santiago Álvarez (1919-1998), o longadocumental BrasCuba.O cinema faz parte da vida de Senna desde o fim dos anos50. Ele participou ativamente do Ciclo Baiano, movimentoprecursor do Cinema Novo e que congregava Glauber Rocha, RexSchindler, Roberto Pires, Paulo Gil Soares, Oscar Santana,Antônio Pitanga e Geraldo del Rey. Foi assistente de direção deTocaia no Asfalto (Roberto Pires/1962) para quem escreveria,em 81, o roteiro do longa Abrigo Nuclear (ficçãocientífica). Depois de dirigir vários curtas e médias-metragenssobre temas da história e cultura baianas (Imagens da Terra edo Povo, Dois de Julho), fixou-se no Rio de Janeiro. ComJorge Bodanzky dirigiu dois longas ficcionais - Iracema,Uma Transa Amazônica (1974/80) e Gitirana (76) - ambosinterditados pela censura. Em 1977, lançou Diamante Bruto,seu segundo longa individual (o primeiro foi A Construção daMorte, de 1969). O filme, protagonizado por José Wilker, GildaFerreira e Conceição Senna, baseia-se no romance Bugrinha,de Afrânio Peixoto.Orlando Senna escreveu roteiros para Hector Babenco (ORei da Noite/75), Geraldo Sarno (Coronel DelmiroGouveia/79, vencedor do 1º Festival de Cinema de Havana), RuyGuerra (Ópera do Malandro/85), Otávio Bezerra (O LadoCerto da Vida Errada/96), Marcos Moura (Iremos aBeirute/98) e Florinda Bolkan (Eu não ConheciaTururu/2001). Na segunda metade dos anos 90, participouativamente do pólo de cinema do Ceará (governos Ciro e Tasso),atuando no Instituto de Dragão do Mar (escola técnica de cinemae vídeo).

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