AP
AP

Clint Eastwood, o xerife de Hollywood, completa 85 anos

Ator e diretor premiado, também foi reconhecido como músico

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

30 Maio 2015 | 16h00

Sergio Leone adorava ironizar, dizendo que gostava de Clint Eastwood porque ele tinha só duas expressões - com e sem chapéu. O xerife de Hollywood completa 85 anos neste domingo  - nasceu em São Francisco, em 31 de maio de 1930. Já passara dos 30 quando Leone fez dele o estranho sem nome de sua memorável trilogia de spaghetti westerns - Por Um Punhado de Dólares, Por Uns Dólares Mais e Três Homens em Conflito. Do alto de seu 1m93, o manto esvoaçante, eterno cigarro nos lábios e sorriso sardônico, Clint nem precisou representar para instantaneamente virar astro.

Em Hollywood, ele já tentara. Filho de um operário metalúrgico - Clinton Eastwood -, Clint, o Jr., exerceu várias funções e, mesmo depois de formado, seguiu em empregos sazonais. Foi até bombeiro. O physique deu-lhe o role e ele foi estrelar a série Rawhide na TV. Não tinha muito apreço pelos personagem que interpretava. Dizia que era o maior idiota do Velho Oeste. Mas serviu para chamar a atenção de Leone, que precisava de um ator norte-americano - barato - para legitimar seus westerns feitos em Almeria, na Espanha. Leone criou um novo gênero, o faroeste operístico, em parceria com o compositor Ennio Morricone.

De volta aos EUA, Clint, beirando os 40, iniciou outra associação fundamental - com o diretor Don Siegel. Com Leone, haviam sido três filmes. Com Siegel, cinco - e de Meu Nome é Coogan a Fuga de Alcatraz, passando por Os Abutres Têm Fome, O Estranho Que Nós Amamos e Perseguidor Implacável, Clint consolidou-se como mito. Como o estranho sem nome, ele criou outro personagem emblemático na 'América', o inspetor Harry Callahan, conhecido, por seus métodos violentos, como Dirty Harry. Houve um tempo em que, por causa de Harry, o sujo, ele virou o durão que as feministas amavam odiar. Porco chauvinista, era como o chamavam, mas aí Clint, convertendo-se em diretor, virou autor - e criou personagens femininas ambíguas, fascinantes.

Antes de falar do diretor, vale lembrar que o ator fez com Brian G. Hutton dois clássicos de aventuras - O Desafio das Águias, dividindo a cena com Richard Burton, e Os Guerreiros Pilantras, cujo duelo final - num filme de guerra! - evocava Leone. Como autor, ganhou duas vezes o Oscar de filme e direção - por Os Imperdoáveis, em 1992, e Menina de Ouro, em 2004. No primeiro, fazia um caçador de recompensas contratado para caçar pistoleiro que havia retalhado a cara de uma prostituta. No segundo, era o treinador que transformava a tal menina de ouro em campeã de boxe. Para um machão empedernido, Clint seguiu criando belíssimas figuras de mulher - a estrela, inspirada em Katharine Hepburn, de Coração de Caçador, em que reconstituiu a experiência africana de John Huston em Uma Aventura na África, e A Troca, com Angelina Jolie como mãe coragem que desafia tudo e todos para tentar resgatar o filho que foi sequestrado nos duros anos da depressão econômica. A par de suas mulheres 'fortes', um de seus grandes filmes celebrou um homem frágil/feminino - Bird, sobre o lendário Charlie Parker.

Como o vinho, certos vinhos, pode-se dizer que Clint tem ficado melhor com a idade. Sua fama é de republicano e durão, mas não se iluda. Ele nunca mereceu mais o Oscar - que não levou - do que por American Sniper, este ano. Foi o filme mais à esquerda do Oscar de 2015, uma fascinante e sombria releitura de Rastros de Ódio, de John Ford. Embora tenha envelhecido diante das câmeras - criando personagens como os de Cowboys do Espaço e Gran Torino, Clint não é um saudosista. Seu cinema é crítico. Os heróis têm todas as idades. Na vida íntima, sempre discreto, ele se casou várias vezes. Tem um filho modelo e ator, Scott Eastwood, que já foi eleito o homem mais sexy da América; outro, Kyle, músico e talentoso, que já colaborou com ele nas trilhas de vários filmes; e a filha Alison, belíssima e múltipla - atriz, modelo, produtora e estilista. Clint tem estado diante das câmeras desde meados dos anos 1950. Você poderia dizer que o cinema é sua vida. Será? Em 2007, o jazzista Clint foi premiado como músico de honra no Berklee College of Music, de Monterey. Já havia recebido seus quatro Oscars, mas disse que era 'a maior honra que já tive'. 

Veja o trailer de alguns filmes:

 


Mais conteúdo sobre:
CinemaClint Eastwood

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.