Seminário discute cinema latino-americano

O Seminário Internacional de Cinema de Porto Alegre chega à sua quinta edição disposto a fazer o possível para diminuir a distância que separa o Brasil das filmografias latino-americanas. O velho sonho do libertador Simon Bolívar, de uma América unida, soa hoje como utopia distante no cinema dominado pelos gigantes de Hollywood, embora a aproximação econômica promovida pelo Mercosul seja uma luz no fim do túnel.Não é tarefa das mais fáceis. Atualmente, apenas Brasil, México e Argentina possuem uma produção próxima do que se poderia chamar de industrial, ainda que com forte oscilação causada pela instabilidade econômica. A média anual dos dois países gira em torno dos 30 filmes por ano cada um. A seguir, merecem destaque Venezuela, Colômbia e Chile, que, bem ou mal, vêm conseguindo manter a produção anual em torno dos oito filmes.Na ponta pobre do triângulo ficam as filmografias de Peru, Bolívia, Equador e Uruguai. O diretor do Festival de Cinema de Gramado, Esdras Rubim, que desde 1992 convida cineastas latino-americanos, lembra que o cinema uruguaio vem apresentando sinais de força, ao acenar com a produção de quatro filmes neste ano. Além disso, o diretor peruano Francisco Lombardi, mesmo remando contra a maré, consegue produzir pelo menos um filme a cada dois anos.O tema deste ano do seminário é Locos por Ti América, com três blocos de debates entre hoje e amanhã, sempre na Usina do Gasômetro, o principal palco de eventos culturais da capital gaúcha. Dentre as questões que serão colocadas para a discussão estão os motivos para a dificuldade em assistir a filmes do continente, as possibilidades oferecidas pelo advento do Mercosul e a internacionalização do Festival de Cinema de Gramado, que tem aberto as portas para a aproximação de cineastas e produtores da América Latina. Cada bloco terá quatro debatedores.Desde que haja qualidade - O primeiro bloco, chamado Longe de Hollywood: A Produção de Filmes na América Latina, deverá discutir o atual momento das cinematografias do Cone Sul, com os seguintes debatedores: o diretor gaúcho Beto Souza; a conceituada produtora carioca Mariza Leão, responsável pela produção de filmes como Lamarca e Guerra de Canudos; a produtora e diretora gaúcha Mônica Shimiedt; o cineasta argentino Pablo Trapero; e o diretor carioca Sérgio Rezende, que está há duas décadas no mercado, ao longo das quais atravessou fases boas e ruins do cinema brasileiro, ao dirigir filmes como O Homem da Capa Preta e Lamarca, entre outros.O segundo bloco, Panorama de uma Cinematografia Periférica, pretende fazer um balanço da história do cinema latino-americano. Os debatedores serão Luiz Carlos Merten, crítico de cinema do O Estado de São Paulo; Susana Shild, jornalista colaboradora do O Estado de São Paulo; Fatimarlei Lunardelli, jornalista e pesquisadora de cinema; e Eduardo Antín conhecido crítico argentino, editor da revista de cinema El Amante, especializada em cinema.O terceiro bloco, intitulado À Margem do Circuito, terá como debatedores Adhemar de Oliveira, diretor do Espaço Unibanco; Cláudio MacDowell, ex-diretor da Escola de Cinema e Televisão de Cuba; Esdras Rubim, diretor do Festival de Gramado; José Carlos Avellar, crítico de cinema e diretor da Riofilme, responsável pela distribuição da maior parte dos filmes brasileiros; e Rodrigo Saturnino Braga, gerente da Columbia. Eles debaterão a distribuição, sem dúvida o ponto nevrálgico não só de uma possível integração dos cinemas latinos, mas também da própria sobrevivência dos cinemas locais. Uma boa distribuição dos filmes é fundamental para o sucesso do nosso cinema. Desde que haja qualidade.

Agencia Estado,

13 de julho de 2000 | 17h37

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