Semana da Crítica em Cannes terá toque brasileiro

O diretor mexicano Gerardo Naranjo e orusso Kirill Mikhanovsky, que apresentará um longa filmado noBrasil, levarão ares latinos à 45.ª Semana da Crítica, paralela aoFestival de Cannes, que acontece em maio, anunciaram hoje seusorganizadores. O responsável geral pela mostra, Jean-Christophe Berjon, afirmouque o tom será "humanista". De acordo com Berjon, o primeiro longa-metragem do russo criado nos EUA Mikhanovsky, Ana - Sonhos de Peixe, filmado no Brasil comatores brasileiros, foi aclamado por unanimidade pelo comitê deSeleção. Berjon considerou que o longa é "de uma sensualidade louca" e"uma lição de vida", como "um poema que te balança o ouvido". O Brasil apresenta ainda o curta-metragem Alguma Coisa Assim,do diretor paulista Esmir Filho. O filme estreará no mesmo dia que o longa, "não por razõesgeográficas", mas por serem "dois filmes sensuais e sensíveis", quefalam muito "da matéria humana", acrescentou o organizador. Gerardo Naranjo estreará Drama/Mex, "verdadeiramente um cinemade urgência, nervoso, direto", inspirado na escola de AlejandroGonzález Iñarritu, que "seduziu todos" com uma linguagemcinematográfica alheia à moda, ressaltou. A Semana da Crítica começará em 18 de maio, um dia após aabertura do Festival de Cannes, com o francês Les Amitiésmaléfiques, uma trama "mais filosófica que sociológica" criada porEmmanuel Bourdieu, filho do sociólogo Pierre Bourdieu. A Alemanha participa da competição com Pingpong, de MatthiasLuthardt; a Noruega, com Den Brysomme Mannen (em inglês, em The Bothersome Man), de Jens Lien; a Bélgica, comKomma, de Martine Doyen; e a Hungria está na disputa com "FrissLevego", de Agnès Kocsis. Os outros seis curtas em competição vêm de Índia, Japão, Itália eSuécia. Em 26 de maio, dois dias antes do fim da mostra oficial, terminaa 45.ª Semana da Crítica. Jean-Cristopher Berjon visitou a Espanha, o México e a Coréiapara conhecer os últimos lançamentos cinematográficos e assistiu adezenas de filmes. O organizador contou que a equipe assistiu a 1.500 filmes esteano para fazer a seleção. "A Semana apresenta uma dúzia de filmes; a Quinzena dosProdutores, o outro Festival paralelo de Cannes, mais 20, e ThierryFrémaux, diretor artístico da seleção oficial, aproximadamente 50". Berjon defende o sistema. "Se multiplicarmos o número de filmes,eles são menos vistos", destacou.

Agencia Estado,

27 de abril de 2006 | 10h20

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.