Sem Petrobrás, Sessão Vitrine ainda busca patrocínio, mas programa não parou

Sem Petrobrás, Sessão Vitrine ainda busca patrocínio, mas programa não parou

Em coletiva realizada nesta quarta, 3, representantes da distribuidora afirmaram que o programa não está paralisado e recomeça dia 11

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2019 | 20h39

Com a decisão da Petrobrás – a empresa cortou patrocínios –, o clima era de apreensão e incerteza. Felizmente, começa a se anunciar uma luz no fim do túnel. O tradicional festival Anima Mundi conseguiu viabilizar-se por meio de um bem-sucedido crowdfunding. E a Sessão Vitrine, ex-Petrobrás, reuniu a imprensa nesta quarta-feira, 3, no Petra Belas Artes, em São Paulo, para anunciar a boa-nova. A distribuidora Vitrine ainda busca patrocínio – a Petrobrás investia R$ 2,3 milhões no projeto de lançamento no horário de 16 horas –, mas o programa não está paralisado e recomeça dia 11.

Como? Por meio de parcerias, que poderão não repor a verba perdida, mas estão criando condições e ferramentas para manter ativo um programa que tem sido fundamental para o setor do audiovisual, barateando o preço do ingresso e dando impulso à formação de público.

Diretora-geral da Vitrine Filmes, Sílvia Cruz reflete: “É um momento muito importante do cinema nacional. Primeiro, pela qualidade de filmes produzidos no Brasil e, segundo, pelo reconhecimento que esses filmes estão recebendo mundialmente. O paradoxo é que também vivemos momentos de incerteza e de questionamento da produção cultural como um todo. Há até uma tentativa de criminalização da produção cultural, e do audiovisual, porque o setor tem resistido criticamente a esse governo. Pois são momentos como esse que proporcionam a oportunidade de refletir e nos reinventar.”

Graças a uma parceria com a agregadora de VOD (vídeo on Demand), Sofá Digital, os lançamentos não vão ocorrer apenas nas salas de cinema, mas também em outras plataformas. Os filmes estarão disponíveis para compra e locação no Apple TV, Google Play/YouTube Premium, Vivo Play e Now.

Para divulgar os filmes que estiveram nas edições anteriores do projeto, foram firmadas duas novas parcerias: com a Mubi, plataforma de streaming voltada para filmes de arte, e com o Videocamp, ferramenta que viabiliza sessões sob demanda em locais que não dispõem de distribuição comercial.

Como a propaganda sempre foi a alma do negócio, o serviço de Filmmelier será responsável pela divulgação dos filmes, com o uso de ferramentas de inteligência artificial e big data.

Para iniciar a nova fase, foi escolhido o documentário Estou Me Guardando para Quando o Carnaval Chegar, de Marcelo Gomes (de Cinema, Aspirinas e Urubus), que, desde o começo do ano, já circulou por festivais como Berlim e É Tudo Verdade. Será o primeiro de dez títulos, mais uma sessão de curtas. 

Os lançamentos devem ocorrer à razão de um por mês, com direito a debate com os realizadores e ingressos vendidos a R$ 15 e R$ 7,50. E tem mais novidades. Com o Canal Brasil e o BR Lab, a Sessão Vitrine está criando um novo conceito – Novos Clássicos do Cinema Brasileiro. 

Um filme selecionado ganhará o aporte financeiro direto do canal para ser seguido desde a fase do roteiro até a estreia. O primeiro selecionado é a ficção As Criadas, de Carolina Rodrigues, um BO – produção de baixo orçamento – da Gato do Parque.

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