Secretário nega aval do papa a filme de Mel Gibson

O secretário do papa João Paulo II negou que o pontífice tenha dado seu aval ao controverso filme de Mel Gibson, The Passion of Christ, sobre as últimas horas da vida de Jesus Cristo. Em dezembro, o mesmo secretário, Stanislaw Dziwisz, teria dito que o papa viu o filme e aprovou a forma como o diretor retratou os acontecimentos que levaram à crucificação de Cristo. Os produtores do filme dizem que o suposto comentário do papa lhes chegou através do secretário. Dziwisz teria dito que o papa aceitou a versão de Gibson dizendo, sobre o filme, que "é como foi". Agora, Dziwisz afirmou no serviço de notícias do Vaticano que "isto não é verdade. O papa não faz julgamentos deste tipo sobre arte; ele deixa isso para especialistas". Mesmo antes de estrear, The Passion of Christ gerou muita polêmica por, supostamente, culpar judeus pela crucificação de Jesus. A Igreja Católica já reconheceu oficialmente que os judeus não tiveram qualquer responsabilidade na pena de Jesus Cristo. Mel Gibson, por sua vez, faz parte de um grupo católico ultraconservador que não aceita a autoridade do Vaticano. A estréia do filme está marcada para o dia 25 de fevereiro, quarta-feira de Cinzas. Funcionários da igreja confirmaram que o papa viu o filme em duas sessões, de modo que ele não tivesse que ficar por muito tempo diante da tela. O secretário Stanislaw Dziwisz não foi encontrado para comentar o caso. Já a assessoria de imprensa oficial do Vaticano negou-se a confirmar ou não o endosso de João Paulo II ao filme. "Esta assessoria nunca comenta as atividades privadas do papa", disse o porta-voz Joaquin Navarro-Valls.

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