Se segura, Nascimento... Paródia dita as cartas em 'Copa de Elite'

Nonsense é tão grande que não dá para não rir com as trapalhadas de Jorge Capitão

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2014 | 02h08

Demora para engrenar, ou para que o público entre no clima. Mas, quando isso ocorre, Copa de Elite não nega fogo. O nonsense é tão grande que não dá para não rir com as trapalhadas de Jorge Capitão. Mas vamos por etapas - há, no cinema brasileiro, uma tradição de paródia que remonta ao apogeu das chanchadas da Atlântida. Hoje, aqueles filmes são vistos como atos de resistência cultural e política, mas, na época, os críticos não tinham muito apreço por eles e até os encaravam como manifestações do complexo de inferioridade dos cineastas do País. Hollywood faturava com Sansão e Dalila? A Atlântida retrucava com Nem Sansão nem Dalila. Matar ou Morrer fazia história no western? Oscarito e Grande Otelo pegavam em armas em Matar ou Correr. BB era adorada como símbolo sexual? Norma Bengell fazia biquinho e arranhava no francês em O Homem do Sputnik.

A partir da seriedade do Cinema Novo, as paródias caíram em desuso. Anos mais tarde, voltaram para Hollywood, por meio de filmes como Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu e a mais recente série Inatividade Paranormal. O Brasil retoma agora o formato com Copa de Elite. Se segura, Capitão Nascimento. Entra em campo, no longa de Vitor Brandt, Jorge Capitão - para enfrentar o crime e salvar o papa em Copa de Elite. O alvo preferido é o díptico Tropa de Elite, de José Padilha. Se o primeiro filme vazou e arrebentou como versão pirata antes de chegar aos cinemas, o 2, que teve o lançamento mais controlado da história do cinema no País, virou a maior bilheteria.

Jorge Capitão é destituído das armas e do uniforme - do Bop, sem o E final -, mas não renuncia à sua vocação de combate ao crime. De cara, ocorre um empecilho. Ele impede um sequestro, sem saber quem é a vítima e, quando sua identidade é revelada, é ninguém menos que o capitão do time da Argentina que disputa a Copa. O Brasil vai perder por causa de Jorge Capitão? Cria-se instantaneamente o apelido depreciativo - Argentino C...

Quem assiste às paródias de Hollywood sabe que são filmes para rir a qualquer preço, sem nenhuma lógica e, menos ainda, qualidade estética. Talvez exista alguma qualidade em Trovão Tropical, de Ben Stiller, mas é a exceção, não a regra. Como outras paródias recentes, Copa de Elite é descontínuo, desconchavado. Jorge Capitão vai parar numa sex shop e ganha ajuda da proprietária, Bia Alpinistinha. Entram no elevador, há uma pane e trocam de corpos. Os filmes parodiados vão se sucedendo - De Pernas pro Ar, Se Eu Fosse Você, Mulher Invisível, Bruna Surfistinha. E surgem situações para que as paródias se estendam a Chico Xavier e Nosso Lar.

Marcos Veras, ator que faz o repórter humorista de Fátima Bernardes, vira Jorge Capitão. O astro pornô Alexandre Frota rouba os bóbis de Paulo Gustavo e pronto - Mamãe É Uma Peça. E tudo termina em futebol, com direito a decisão de pênaltis (entre Brasil e Argentina). No fim, Jorge Capitão recebe um chamado do futuro - para salvar a Olimpíada. Copa 2 pode estar a caminho. No primeiro fim de semana, o 1 fez 164 mil espectadores, quase o triplo de Júlio Sumiu, que ficou em 66 mil.

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