Mario Anzuoni/Reuters
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'Se a Rua Beale Falasse' ganha o Film Independent Spirit Award

'Roma', de Alfonso Cuarón, foi o melhor filme estrangeiro estrangeiro e Glenn Close levou o prêmio de melhor atriz

Mariane Morisawa, O Estado de S. Paulo

24 de fevereiro de 2019 | 15h55

Barry Jenkins fez dobradinha no Film Independent Spirit Awards, na tarde deste sábado, 23, levando os prêmios de melhor filme e direção por Se a Rua Beale Falasse – o longa-metragem venceu também o troféu de atriz coadjuvante, para Regina King, uma das favoritas ao Oscar. Dois anos atrás, seu Moonlight: Sob a Luz do Luar saiu da tenda montada na praia de Santa Monica com cinco troféus, inclusive filme e direção. Se a Rua Beale Falasse é uma história de amor, família e racismo baseada no livro homônimo de James Baldwin. “São muitos os autores negros negligenciados, não apenas por Hollywood”, disse Jenkins em entrevista após a premiação. O diretor também afirmou sentir a responsabilidade por ser um representante da obra, mas também como um raro cineasta negro. “Não estou trabalhando em isolamento, mas tudo bem. Tem gente trabalhando em situações muito mais difíceis que eu.”  

O Independent Spirit é uma das provas de que a temporada de prêmios está imprevisível em 2019. Em anos anteriores, o Spirit antecipou o Oscar de melhor filme, premiando 12 Anos de Escravidão, de Steve McQueen, Birdman, de Alejandro González Iñarritu, Spotlight: Segredos Revelados, de Thomas McCarthy, e Moonlight: Sob a Luz do Luar, de Barry Jenkins. Em 2018, o vencedor da cobiçada estatueta dourada, A Forma da Água, de Guillermo del Toro, não concorria ao Spirit, então Corra!, que também disputava o Oscar, levou. Desta vez, seria impossível, já que nenhum dos indicados ao Spirit de melhor filme concorria ao Oscar de melhor produção. Os concorrentes são, no entanto, uma prova do vigor do cinema independente americano – e a cegueira da Academia para filmes de produção mais modesta. 

Glenn Close, favorita a levar o Oscar neste domingo, 24, foi escolhida a melhor atriz por A Esposa, de Björn Runge. Ela subiu ao palco com seu cachorro, Pip. “Tive minha mãe como inspiração, ela apoiava muito meu pai e escolheu ficar nos bastidores”, disse a atriz, que faz uma mulher sob a sombra de seu marido escritor. Close comentou também sobre Roma. “Há muitas pessoas invisíveis no mundo. Mas todas têm sua história. Daí a importância do cinema independente.”

Ethan Hawke venceu o Spirit de ator por Fé Corrompida, de Paul Schrader. O brasileiro Christian Malheiros concorria na categoria por Sócrates, de Alex Moratto.  

Richard E. Grant foi eleito o melhor ator coadjuvante pelo filme Poderia Me Perdoar?, de Marielle Heller. “Numa era de sequências, é uma honra fazer algo com uma voz original”, disse o ator em entrevista. “Meu filme anterior foi ‘Logan’, cheio de homens, de testosterona. Foi um alívio poder estar num set em que as pessoas conversavam umas com as outras, calmamente. Marielle Heller é uma diretora brilhante.”

Roma, de Alfonso Cuarón, foi escolhido o melhor filme estrangeiro. O diretor compareceu à cerimônia ao lado do diretor de conteúdo da Netflix Ted Sarandos, produtora do longa. “Estou otimista porque parece que uma diversidade maior está acontecendo. E que é possível que isso faça com que esta categoria fique obsoleta”, afirmou em seu discurso de agradecimento. Na entrevista depois da premiação, Cuarón se disse feliz porque o filme está gerando conversas sobre os trabalhadores domésticos. “O filme é sobre várias coisas, inclusive racismo e diferenças entre classes.”

Boots Riley levou o prêmio de filme de estreia por Sorry to Bother You. Em seu discurso de agradecimento, o diretor criticou a posição dos Estados Unidos em relação à Venezuela, dizendo que seu país está apenas interessado no petróleo. Na entrevista após a premiação, ele afirmou: “Obviamente que toda vez que a CIA quer forçar a mudança de regime, seja no Iraque, no Chile, onde for, diz a mesma coisa: ‘O governo perdeu apoio, é uma ditadura, estamos apenas oferecendo apoio humanitário’. E todos sabemos que não é verdade. Meu medo é que eles estejam fazendo o mesmo que fizeram na Guatemala nos anos 1980, que foi contrabandear armas para grupos de direita. Quando a Rússia tentou fazer isso anos atrás na Ucrânia, vários países reclamaram, com razão. Então os Estados Unidos não podem fazer a mesma coisa na Venezuela. As pessoas da Venezuela é que têm de decidir seu destino.”

Nicole Holofcener e Jeff Whitty ganharam na categoria melhor roteiro por Poderia Me Perdoar?. O melhor roteiro de estreia foi para Bo Burnham, também diretor de Eighth Grade

Sayombhu Mukdeeprom ficou com o prêmio de fotografia por Suspiria, de Luca Guadagnino. Já o de edição foi para Joe Bini por Você Nunca Esteve Realmente Aqui. 

Won’t You Be my Neighbor?, de Morgan Neville, foi eleito o melhor documentário.

O John Cassavettes, dedicado a filmes feitos com menos de US$ 500 mil (cerca de R$ 1,8 milhão), ficou com En El Séptimo Dia, de Jim McKay. O brasileiro Sócrates, de Alex Moratto, disputava o prêmio. 

Debra Granik levou o Bonnie, para cineastas do sexo feminino. Ela dirigiu Sem Rastros, que também disputou o prêmio de filme e direção. 

O prêmio Robert Altman foi entregue ao diretor Luca Guadagnino, às diretoras de elenco Avy Kaufman e Stella Savino e ao elenco encabeçado por Dakota Johnson pelo filme Suspiria.

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