Andrew Cooper/Divulgação
Andrew Cooper/Divulgação

Scorsese cria suspense com toque político em novo filme

Agente do FBI e seu parceiro investigam manicômio judiciário de Ashecliffe, e assim começa onda de suspense

EFE,

11 de março de 2010 | 17h15

Martin Scorsese entra no centro da paranóia em "Ilha do Medo", suspense ambientando nos anos 50 e estrelado por Leonardo DiCaprio que teve sua première mundial no Festival de Berlim, em fevereiro.

 

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Como em "O Iluminado"(1980), o famoso filme de Stanley Kubrick, há um protagonista num local isolado. E os acontecimentos a cada momento fogem ao seu controle, percebendo-se uma espiral crescente de loucura. E a plateia é convidada a uma viagem ao inferno. No que se pode acreditar?

 

No caso, o protagonista é Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio, "Foi Apenas Um Sonho"), um agente do FBI que, junto com o parceiro Chuck Aule (Mark Ruffalo, "Onde Vivem os Monstros"), é chamado para uma investigação no manicômio judiciário de Ashecliffe. Um local completamente isolado na rochosa ilha de Shutter, nas proximidades de Boston. Ali, só se entra e sai por meio de uma balsa, sendo o acesso severamente vigiado por guarda armados de fuzis.

 

Teddy e Chuck estão ali para investigar o desaparecimento misterioso de uma interna, Rachel Solando (Emily Mortimer, "Cinturão Vermelho"), que, anos atrás, teria matado seus três filhos, afogando-os. Ela conseguiu sair de uma cela trancada, sem sapatos, enfrentando o chão pedregoso e um clima constantemente chuvoso e frio. Difícil imaginar como. Difícil esperar que possa estar viva.

 

Os psiquiatras atuantes no hospital, o dr. Cawley (Ben Kingsley, "Oliver Twist") e o dr. Naehring (Max von Sydow, "O Escafandro e a Borboleta"), são reticentes e não permitem o livre deslocamento dos agentes. Ao mesmo tempo, Teddy sente-se cada vez mais perturbado e indisposto. Ele carrega consigo o peso de um passado doloroso, em que se misturam experiências traumáticas de guerra - em que ele participou da liberação do campo de concentração de Dachau (Alemanha) - e a morte trágica da mulher, Dolores (Michelle Williams, "Sinédoque - Nova York") num incêndio.

 

A noite de Teddy é povoada de pesadelos, em que vê os fantasmas da mulher e também das crianças da prisioneira sumida, misturando tudo numa espiral de angústia que está minando sua energia. Ao seu lado, Chuck, o parceiro com quem atua pela primeira vez, tenta ser compreensivo e conversar.

 

Só então Chuck descobre que Teddy tem uma agenda própria nesta ilha, onde procura desvendar uma suposta operação clandestina do governo para o esmagamento de supostos esquerdistas, no auge das atividades do temível Comitê de Atividades Antiamericanas do senador Joseph McCarthy, em 1954.

 

Partindo do livro de Dennis Lehane, o celebrado autor de "Sobre Meninos e Lobos" (origem do filme homônimo de Clint Eastwood, de 2003), Scorsese torna a história totalmente sua, criando um território aonde leva o espectador pelos sentidos, mas guarda consigo a chave do mistério.

 

Para isso, cerca-se de alguns dos melhores profissionais à disposição, caso de sua habitual montadora, Thelma Schoonmaker, do desenhista de produção Dante Ferreti, do diretor de fotografia Robert Richardson - responsável pela criação das formidáveis texturas ultracoloridas dos pesadelos de Teddy, com a colaboração do supervisor de efeitos visuais Rob Legato.

 

A música, uma fusão do trabalho de vários compositores, como o polonês Kzrysztof Penderecki (de "O Iluminado" e "O Império dos Sonhos"), tem a supervisão de Robbie Robertson, e é um dos ingredientes fundamentais para a criação do clima opressivo de que depende este suspense. Que é, aliás, um trabalho de maturidade e engenho, digno da história de Scorsese, cujos últimos filmes foram o documentário "Rolling Stones - Shine a Light" (2008) e o premiado drama "Os Infiltrados", vencedor de quatro Oscar, inclusive melhor diretor.

 

Parceiro constante de Scorsese em suas últimas produções, Leonardo DiCaprio exibe uma performance repleta de nuances, pungente, dilacerante. É a quarta vez que os dois trabalham juntos. Se alguém tem dúvida de que ele é um dos grandes atores da atualidade, este é o filme para tirar as dúvidas. (Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

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