Scooby-Doo chega aos cinemas dia 12 de outubro

Hoje, Scooby-Doo é um astro digital, com direito a estrelar um longa-metragem que bateu recordes de bilheteria ao ser lançado nos EUA (aqui no Brasil, estará nos cinemas no dia 12 de outubro). Mas Scooby-Doo era apenas um esboço, habitando mais o cérebro de William Hanna e Joseph Barbera do que as pranchetas de desenho, quando surgiu, em meados dos anos 60, a idéia de usar um cachorro que fala, num seriado de animação que se chamaria Who´s Scared? (Quem Está Com Medo?). Como é habitual acontecer, toda a concepção do desenho foi virada de pernas para o ar quando os executivos entraram em choque com os criadores. O argumento era que para um desenho pensado para ir ao ar nas manhãs de sábado, ou seja, dirigido a crianças pequenas, o tom estava assustador demais. Logo, tudo foi suavizado e o cachorro acabou virando o centro da história e o título foi alterado para Scooby-Doo, Cadê Você? Não se sabe ainda se Scooby-Doo existia já na concepção original ou não. Uma versão dá conta de que que a equipe de criação da Hanna-Barbera estava insatisfeita com a idéia de ter quatro adolescentes matracando sobre explicações de como tinham descoberto ou não fantasmas e fraudes de fantasmas. Para evitar a monotonia, pensou-se num cachorro. Mas que cachorro? Bem, ele precisava falar e ser divertido. Uma funcionária do estúdio criava dinamarqueses de altíssimo pedigree, então ela foi submetida a interrogatórios sobre como eles se comportavam e quais suas características. Sabido isso, decidiram que Scooby-Doo teria uma conduta exatamente oposta àquilo tudo. Assim, foi construído o herói que morre de medo de fantasmas, vampiros, monstros etc. Especialista em sair voando quando a coisa fica feia, ele sempre quer ir para o lado oposto de onde o perigo espreita. O cachorrão tarado por sanduíches, biscoitos e qualquer outra espécie de comida, se juntou aos quatro personagens de um grupo especializado em investigar fenômenos estranhos. Dois dos personagens humanos são um casal, Fred e Daphne, loiros e de olhos azuis, mas com neurônios pouco gabaritados. Velma é o contrário de Daphne. Morena, com sua franjinha eterna na testa e óculos poderosos, é o cérebro da turma. Velma é quem geralmente soluciona os mistérios. O restante é o Salsicha, um personagem encarregado de contracenar mais com Scooby-Doo, servir de escada para as piadas do cachorro. Salsicha é um caipirão, com um sotaque engraçado, mas o único que se aproxima da espontaneidade do astro canino. Talvez por isso seja o segundo dos personagens em popularidade. O quinteto vive suas aventuras na televisão desde a estréia em 13 de setembro de 1969. Os membros da Mistério S.A. já apareceram em mais de 300 episódios exibidos por várias redes de TV (aqui no Brasil, Scooby-Doo é cartaz do canal pago Cartoon Network e na Rede Globo, embora, com o novo acordo do SBT com a Warner, a emissora de Sílvio Santos irá transmitir a atração). Politicamente correto, sempre contando o que na verdade é uma história única, o conteúdo de Scooby-Doo não é exatamente a razão da sua extraordinária popularidade e longevidade. Talvez o motivo seja mesmo o reencontro semanal com o cachorro trapalhão, comilão e covarde e, em menor escala, com seu escudeiro possuidor das mesmas virtudes. Também o fato de ser confiável para os pais, um programa que mostra piadas inofensivas e não tem violência explícita. Apenas uma ou outra irreverência, como o fato de todos os vilões serem adultos. Fala-se há muito tempo num filme de longa-metragem para Scooby, mas sempre se esbarrava na questão de como conseguir treinar um cachorro para ser o herói, chave da história. Agora, a solução foi contornada: resolveram fazer um Scooby virtual. O diretor de efeitos especiais Peter Crosnan explicou que "os vários recursos da computação gráfica nos permitiram manter características do desenho animado, sobretudo quanto às expressões faciais e ao sorriso de Scooby, sem que ele deixasse de parecer real." Isso para obedecer às ordens do diretor Raja Gosnell: "Scooby tem de andar, falar e interagir com os coadjuvantes e fazer ações humanas, porém sem nunca deixar de parecer um cachorro, sem perder o humor, o charme e os maneirismos que ligamos a Scooby." Combinado com ação real, o bicho digital ganha vida convincente na tela. O produtor Charles Roven conta que o desejo era atender os fãs do desenho e incorporar ao filme qualidades da animação com ação, mistério, alguns sustos, humor, celebridades como convidados especiais (Pamela Anderson e a banda Sugar Ray). A maior diferença com o desenho que o roteiro do longa apresentou foi criar uma tensão entre os membros do quinteto. Até Salsicha e Scooby brigam, o que parece impensável no desenho. Porém, a grande sacada do filme é mesmo a convincente animação de Scooby. O diretor é Raja Gosnell (de mais sucesso que qualidade, em filmes como Vovó...zona e Nunca Fui Beijada) e os atores são Sarah Michelle Gellar (Daphne), a heroína-título do seriado Buffy, a Caça-Vampiros; Freddie Prinze Jr. (de Ela é Demais, Louco por Você), como Fred; o Salsicha é Matthew Lillard (o assassino adolescente de Pânico); Velma é Linda Cardellini (de Legalmente Loira). Nenhum consegue roubar qualquer cena de vocês sabem quem. Felizmente, nas cópias dubladas foram usadas as mesmas vozes da TV, especialmente Orlando Drummond como o Scooby-Doo e Mário Monjardim como o Salsicha. O lançamento de Scooby-Doo no Brasil desencadeará uma grande operação de merchandising, com os personagens indo de itens de alimentação a higiene pessoal, passando por papelaria e roupas. Haverá, por exemplo, bonecos e jogos da Gulliver, figurinhas, livros e quadrinhos da Edelbra e da Abril, artigos para festas da Regina, entre centenas de itens.

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