Sarkovas: "Virei bucha de canhão do lobby do cinema"

Especialista em patrocínio empresarial, Yacoff Sarkovas foi convidado em fevereiro a dar consultoria para a Secretaria de Comunicação e Gestão Estratégica da Presidência. Trabalhou quatro semanas, recebeu pelo trabalho todo cerca de R$ 15 mil - incluindo as passagens a Brasília para ele e a sua equipe. Diz que não se arrepende, mas está espantado com o resultado do trabalho."Não podia imaginar que eu ia virar bucha de canhão do lobby do cinema nacional", diz Yakoff, citado nominalmente por diversos cineastas como um dos responsáveis pelo imbróglio que o cinema protagoniza. "Eles praticam métodos de usineiros; fazem filmes como usineiros e se comportam como usineiros", desabafa. Sarkovas define como "uma enorme confusão" a discussão que foi criada em torno dos parâmetros fixados pela Eletrobrás (Centrais Elétricas Brasileiras) e Furnas (Centrais Elétricas S.A.)."Eu não tenho nenhuma responsabilidade pelos conteúdos das regras publicadas. Basicamente, eu dei duas contribuições à Secom: sugeri que não fizessem a regulamentação toda de uma vez, devido a ser uma questão complexa; e que fossem incorporadas às regras princípios universais, como a transparência, a definição de foco, critérios públicos de seleção, acessibilidade e não ter caixa-preta."De qualquer modo, Yakoff posiciona-se favoravelmente à exigência de contrapartida social e aos critérios esboçados. "Empresas deveriam poder apoiar o que bem entendessem. Temos de dar um salto de qualidade na relação que a gente tem com o que é público", argumenta. Em nenhum momento, assegura Sarkovas, ele sugeriu regras como financiar somente "produtos que promovam a imagem do Brasil no Exterior" ou que privilegiem o "folclórico e o regional". "Imaginar que eu tenha esse tipo de influência é absurdo; não estou me eximindo de nada, só estou definindo o que fiz e o que não fiz. O que aconteceu me parece uma enorme confusão em decorrência dessas leis de dedução integral. Defendo leis de incentivo, mas desde que para estimular o investimento privado, não para substituir o investimento privado."Ele disse que ficou surpreso com sua "demonização" por cineastas com os quais até já discutiu procedimentos de patrocínio, como Cacá Diegues e Arnaldo Jabor, colunista do Estado. Com Cacá Diegues, por exemplo, ele integrou a comissão do projeto Petrobras Cinema - Sarkovas foi responsável por toda a reformulação da política de patrocínios da Petrobras, a maior patrocinadora brasileira (R$ 140 milhões investidos em 2000/2001). E, para exemplificar sua relação com Jabor, ele mostra duas dedicatórias do jornalista, escritor e cineasta nos livros Os Canibais Estão na Sala de Jantar (1993) e Brasil na Cabeça (1995). Na primeira, está escrito: "Ao grande Yacoff, que salvará nossa cultura". E, no segundo, "ao Yacoff, pilar da cultura."Ele diz achar estranho que somente uma atividade, o cinema, tenha visto problemas nas regras estipuladas pelas estatais. A Secom é responsável por todo o marketing e as peças publicitárias do Estado, das campanhas do Ministério da Saúde aos programas sociais. "Eles queriam estabelecer normas gerais, para que as premissas fossem respeitadas. Não dizem respeito só ao cinema, mas a toda área empresarial, como projetos sociais, ambientais, o esporte profissional e amador. Isso tudo foi tratado como se você tivesse metido a mão no caixa do cinema brasileiro", avalia.Com 17 anos de atividade, a agência de Sarkovas, Articultura, desenvolve intensa atividade no ramo da consultoria de patrocínio empresarial. Planejou e implementou diretrizes e programas para empresas como Accor, Banespa, Citibank, Credicard, Cultura Inglesa, D.Paschoal, Faber-Castell, Forum, Golden Cross, Itaú Seguros, Klickeducação, Natura, Paviflex, Philips, Rastro, Ripasa, Santander, Siciliano, Sul América, Visanet. Em 2000, orientou o marketing, a comunicação e o patrocínio da Mostra do Redescobrimento Brasil +500, o maior evento cultural já realizado no país.

Agencia Estado,

07 de maio de 2003 | 11h18

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