São Paulo Filmes deve ser aprovada em abril

O cinema paulista está prestes a dar seu grito de independência em relação ao Rio de Janeiro, com a criação, pela prefeitura paulistana, da São Paulo Filmes, uma distribuidora que pretende atuar nos três principais estágios da indústria cinematográfica - produção, distribuição e exibição. O projeto foi apresentado na última quarta-feira, na Câmara, pelo vereador Vicente Cândido, e deverá ser debatido nos meses de fevereiro e março, com votação prevista para abril.A criação da distribuidora é um sonho antigo dos realizadores. "A idéia vinha sendo cogitada desde 1994, mas ganhou corpo no 3.º Congresso de Cinema, ocorrido este ano", explica Sérgio Mamberti, um dos articuladores do projeto, ao lado de nomes como Raquel Monteiro, Alain Fresnot, Leon Cakoff, Luiz Alberto Pereira e outros.A idéia dos diretores e produtores não é concorrer com a carioca Riofilme e sim somar esforços. "Não podemos nos queixar da atuação da Riofilme nem do tratamento dispensado aos realizadores paulistas, mas nosso estado tem condições de manter uma distribuidora", afirma o diretor Alain Fresnot (Castelo Rá-Tim-Bum).A cidade de São Paulo é o maior mercado de cinema, seguida pelo Rio de Janeiro. Em terceiro lugar, aparece o interior paulista. "Só isso já credencia a cidade a ter sua própria distribuidora", garante Manoel Rangel, presidente da Associação Brasileira de Documentaristas.A maioria das pessoas que faz cinema concorda que a Riofilme está próxima do limite de sua capacidade de atendimento. Além disso, o prefeito eleito do Rio de Janeiro, César Maia, declarou recentemente que a Riofilme transformou-se numa espécie de BRfilme, ou seja, atua em todo o Brasil, quando deveria centrar-se no Rio.Com esse vento favorável, aliado ao fato da própria prefeita eleita Marta Suplicy ter-se declarado favor distribuidora paulista, tudo indica que ela deverá sair do papel em breve. "A previsão é de que já esteja operando no segundo semestre", garante Vicente Cândido, que, no projeto que enviou à Câmara, requereu uma dotação orçamentária de R$ 8 milhões em 2001.Segundo Sérgio Mamberti, a maior parte será investida na distribuição, mas haverá verba para a produção e exibição dos filmes", afirma. Ele acha que, a médio prazo, a São Paulo Filmes poderá gerar seus próprios recursos, a partir do que arrecadar com a comercialização de filmes.

Agencia Estado,

18 de dezembro de 2000 | 18h10

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