Santoro tem sessão de gala hoje em Cannes

Rodrigo Santoro experimenta hoje o ritual de entrada pelo carpete vermelho que dá acesso ao Grand Théâtre Lumière, a sala principal do Festival de Cannes. O ator acompanha o cineasta Hector Babenco na sessão de gala do longa Carandiru, um dos 20 títulos internacionais a disputar a prestigiada Palma de Ouro este ano. A equipe de Carandiru divide a atenção da imprensa com o aguardado Dogville, novo trabalho do provocateur dinamarquês Lars Von Trier e estrelado por Nicole Kidman.Santoro deu a largada oficial, este mês, nos EUA, em sua promissora carreira internacional. Desde a semana passada, o canal de TV a cabo americano Showtime está apresentando o telefilme The Roman Spring of Mrs. Stone, produção baseada no único livro escrito pelo dramaturgo Tennessee Williams. Dirigido por Robert Allan Ackerman (que ganhou vários prêmios no ano passado com sua cinebiografia da atriz Judy Garland), o longa marca a primeira participação de Santoro num filme em língua estrangeira.The Roman Spring of Mrs. Stone, adaptado pelo dramaturgo e roteirista Martin Sherman (Bent), acompanha a decadência e o despertar sexual (ou vice-versa) da atriz americana fictícia que dá título à obra. Karen Stone (interpretada pela inglesa Helen Mirren) é um nome corriqueiro - e de sucesso - nas marquises dos teatros da Broadway na década de 50. Incentivada pelo marido milionário (ponta de Brian Dennehy) a assumir o papel da heroína Julieta, de Shakespeare, mesmo já sendo uma cinqüentona, Karen é apedrejada pelos críticos. Sua temporada camicase no teatro é interrompida no meio por decisão da própria atriz, que também decide se aposentar depois do fiasco.Ela viaja com o marido para a Itália e ele é vítima de um ataque cardíaco. Mesmo com a morte do marido, Karen decide permanecer em Roma e passa a ser vigiada e seguida religiosamente por um mendigo, interpretado por Santoro. Sem dizer uma palavra em todo o filme, esse maltrapilho batizado por Williams como "jovem homem" representa a penúria econômica da Itália pós-guerra e também o âmago do filme: a derrocada de uma estrela.Antes do final dramático do filme, Santoro aparece comendo pedaços de pizza que encontra no chão e urinando na porta de um prédio. Ele também tem duas cenas lascivas, em que tenta seduzir a atriz na rua. Em uma delas, à saída de Karen de um restaurante, Santoro leva a mão ao sexo e deixa transparecer seus pêlos pubianos. Noutra, em uma ponte, toca provocantemente o peito. Sinal dos tempos e da ousadia que canais de TV como a Showtime e HBO propagam no cenário americano."Em nossa leitura da história, essas artimanhas gestuais eram necessárias para o personagem chamar a atenção da atriz", explica Santoro, em entrevista ao Estado por telefone do Rio, antes de embarcar para Cannes. "Nesse sentido, o filme se diferencia um pouco do livro e o desejo do jovem mendigo pela atriz ganha mais projeção na história, até porque os tempos são outros."O fato de interpretar um personagem totalmente mudo só aumentou a responsabilidade de Santoro. "Foi um desafio gigante, pois tive de traduzir somente com o olhar o background dele, ou seja, o fato de ele ser um jovem que perdeu tudo depois da 2.ª Guerra, que passa fome e, ao mesmo tempo, é obcecado por essa mulher."

Agencia Estado,

19 de maio de 2003 | 09h53

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