Santoro e Snyder negam ofensa a persas em <i>300 de Esparta</i>

A reação do governo do Irã ao filme 300 de Esparta, que estréia no próximodia 30no Brasil, foi uma surpresa para o diretor Zack Snyder e para oatorbrasileiro Rodrigo Santoro. Para Santoro a surpresa foi maior ainda. ?Nunca nosreportamosao Irã de hoje ou à Pérsia de 2.500 anos atrás. Até li Heródoto(historiador grego que conta as guerras entre persas e gregosnaqueleperíodo), mas nada do que aprendi pôde ser usado porque o Xerxes,nofilme, é um personagem irreal? , contou o ator. ?O engraçado éque, nosEUA, muita gente comparou Xerxes ao presidente George W. Bush, enão ocontrário.?O filme conta a batalha dasTermópilas, noséc. 5 A.C., quando 300 espartanos lutaram até a morte contra oexército persa, mas não se baseia nos relatos históricos e sim nagraphic novel de Frank Miller, fugindo a qualquer realismo.Santoro é orei persa Xerxes, um homem de três metros de altura no filme. NosEUA,a renda no primeiro fim de semana foi de US$ 70 milhões.Acusação de complôNa semana passada, logo após o lançamento, o porta-voz dapresidênciado Irã, Gholamhossein Elham, divulgou uma nota em que acusa ofilme deser ?um complô que faz parte da guerra empreendida pelo inimigo? edemostrar os persas como um povo ?com sede de sangue, não civilizadoebrutal?. Segundo Elham, o filme faz parte de uma ?invasão culturaldoinimigo? para ?distorcer e insultar a cultura de nosso país,roubandosua identidade?.A embaixada do Irã no Brasil não quis comentar o lançamento dofilme.?É evidente que nunca tivemos a intenção de ofender os persas, emuitomenos os iranianos. Apenas transpusemos para a tela o estilo deMillere propositadamente usamos um tom operístico irreal para ficarclaro queestávamos fantasiando e não reproduzindo um fato histórico?, disseSnyder ontem, durante a rodada de entrevistas para lançar o filmenoBrasil. ?Na verdade, desprezamos os fatos históricos, comoacontece noteatro, nas histórias em quadrinhos e nas óperas, mas quem vai aocinema quer ter a ilusão de que vê a realidade reproduzida natela.?Snyder acha natural que os iranianos se sensibilizem com essahistóriaem virtude da guerra no Iraque, que o governo americano ameaçaexpandirpara o Irã, país vizinho. No entanto, ele não poupa Bush. ?Comestaguerra, Bush fez a luta pela liberdade parecer um mal, quando naverdade ele não foi lá para buscar a liberdade, e as pessoasquerem serlivres. 300, aliás, fala disso?, comentou. ?Além disso, Bush é opresidente dos EUA, mas não representa o país, porque muita gentepensadiferente dele.?

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