Santoro causa tumulto em festival de cinema em Recife

O Cine PE-Festival do Audiovisual, em Recife, teve seu equivalente a uma noite de Oscar. O motivo foi a passagem do ator global, e agora internacional, Rodrigo Santoro pela capital pernambucana, prestigiando a primeira exibição de Não Por Acaso, de Philippe Barcinski, na sexta-feira. Não por Acaso é o primeiro filme brasileiro a ter a participação de Santoro depois de sua atuação em produções internacionais, como a aventura 300 e a série Lost.O ator teve tratamento de astro internacional - bem diferente da primeira vez em que esteve neste festival, em 2001, com o filme Bicho de Sete Cabeças, de Laís Bodansky.Sua estadia atual provocou alterações drásticas na rotina do Hotel Recife Palace, em Boa Viagem. Houve reforço na segurança do 9º andar, onde o ator e toda a equipe do filme se hospedaram, que ficou isolado. Além disso, a direção do festival montou um esquema especial para o deslocamento e chegada de Santoro ao Cine-Teatro Guararapes, em Olinda, para participar da sessão do filme, ao lado dos demais integrantes do elenco, Letícia Sabatella, Leonardo Medeiros e Branca Messina. Atores e equipe técnica do filme surpreenderam o público de 3.000 pessoas - lotação completa da sala, ocupando inclusive os degraus da escadaria de acesso - ao entrarem pela esquerda do palco, o que aconteceu pela primeira vez no festival. A entrada dos convidados é sempre pelo lado direito, vindo caminhando pela platéia, o que na noite de sexta-feira não era recomendável pela possibilidade de tumulto. Quando Santoro resolveu falar, os fãs gritaram mais alto ainda. Mas eles se acalmaram logo para ouvi-lo. "A última vez que estive aqui foi em 2001, quando mostrei meu filme Bicho de Sete Cabeças. Foi um momento abençoado", lembrou.O ator elogiou também o comparecimento em massa dos espectadores para a sessão. "É muito bom ver uma platéia lotada numa sexta-feira quando há tantos filmes brasileiros que não têm sido vistos por 3 mil pessoas", disse. ´Não por Acaso´Não por Acaso tem estréia marcada para 7 de junho no circuito brasileiro. O filme conta uma história de perda e de afeto entre um jogador de sinuca (Santoro), sua namorada (Branca Messina) e uma inquilina (Letícia Sabatella); e um pai (Leonardo Medeiros) que começa a conviver com uma filha, de quem sempre se afastou (Rita Batata). Ao comentar seu personagem, Pedro, um jogador de sinuca confrontado com a morte trágica da namorada (Branca Messina), Santoro contou em entrevista coletiva, na manhã deste sábado, 28, que aprendeu realmente a dominar o jogo. "Gosto de aprender mesmo, porque quero usar aquilo para sentir o personagem. Não deixa de ser um desafio", explicou. Recentemente, o ator também aprendeu a tocar piano de verdade para interpretar um músico no ainda inédito Os Desafinados, de Walter Lima Jr. No caso da sinuca, seu professor foi Renato da Mata, que aparece no filme numa seqüência que mostra um campeonato. O ator contou que foi o diretor do filme, Philippe Barcinski, ex-estudante de Física, quem criou as "jogadas mirabolantes" que aparecem em cena. Comparando os dois papéis, do jovem Neto, internado num hospício pelo próprio pai em Bicho de Sete Cabeças, e o jogador Pedro, que tiveram por trás o preparador de elenco Sergio Pena, Santoro disse que agora se sente capaz de se aprofundar mais no personagem. "Meu trabalho em Bicho de Sete Cabeças teve que ser muito mais visceral. Lá, tanto o personagem como eu também éramos mais meninos. Hoje, com o Pedro, eu me sinto capaz de mergulhar mais com calma em sua maturidade", afirmou. As premiações do festival serão anunciadas no domingo. Cão Sem Dono, dos paulistas Beto Brant e Renato Ciasca, é o concorrente que encerra o evento na noite deste sábado.

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