John Shearer/ AP
John Shearer/ AP

Sandra Bullock fala de 'Gravidade'

'Tive de reprogramar meu corpo para reagir como se eu estivesse numa gravidade zero'

Cindy Pearlman, The New York Times

31 de outubro de 2013 | 10h55

Em seu mais recente filme, Sandra Bullock é levada para o espaço, mas ela continuou com os pés na Terra. “Tive de levar meu garoto para o set de filmagem”, diz ela. Seu filho, Louis, tem três anos. “Disse aos produtores que este filme deveria se tornar uma experiência fascinante para ele. Uma boa experiência de vida, de modo que não pretendia ficar pendurada no telefone, preocupada o tempo todo com ele.”

Sandra diz que “foi um período fantástico para uma criança de um ano e meio e tudo foi feito para proteger sua cabecinha”. Na entrevista, num hotel em Los Angeles, a atriz de 49 anos nem parece ser mãe de uma criancinha. É um belo dia de outono e ela traja um vestido branco e preto, colado ao corpo que não deixa perceber uma grama de gordura. Os cabelos longos, muito elegante, um sorriso caloroso e o telefone à mão para o caso de Louis precisar de alguma coisa.

“Se há algo que busco em meu trabalho é cordialidade. E encontrei isto no set de Gravidade (Gravity ). Minha vida com meu filho não foi abalada por causa do filme e hoje isto é algo muito importante para mim. Meu filho recebeu muito carinho no set. Este sentimento e a sensação do desconhecido ao trabalhar num filme cuja trama se desenrola no espaço, nos manteve muito unidos.”

Trailer de 'Gravidade'

“Alfonso e Jonas, seu filho, escreveram este roteiro tendo uma mulher como parte essencial da trama. Algo revolucionário”. Um estúdio acreditou e financiou uma história tão desconhecida como é este filme. Foi uma revolução. “Conseguir ser a mulher no filme exigiu mais do que humildade. Tive de me esforçar, dar o máximo de mim”.

O começo. Os pais de Sandra Bullock eram músicos. Seu pai era professor de música e ensinava técnica de canto. Helga Bullock, sua mãe, era cantora de ópera e também professora de canto. Ela cresceu em Arlington, Virgínia, mas quando era criança a família mudava-se com frequência, para cidades como Nuremberg, na Alemanha, Salzburgo e Viena, onde sua mãe trabalhou.

Sandra sentiu-se atraída para o cinema logo cedo. Deixou a faculdade para tornar-se atriz e trabalhou como garçonete em Nova York até conseguir seu primeiro papel, numa série de televisão, Uma Secretária de Futuro (Working Girl/ 1990), fazendo o papel que Melanie Griffith interpretou no cinema. A série foi um fracasso, mas abriu as portas para Sandra, que começou a ter papéis secundários em filmes como Poção do Amor nº 9 (Love Potion nº 9/ 1992), O Silêncio do Lago (The Vanishing/ 1993) e O Demolidor (Demolition Man/1993). O grande sucesso de Velocidade Máxima (Speed/ 1994) transformou-a numa grande estrela, posição que manteve por quase duas décadas. Sua carreira foi coroada quando, no papel de Leigh Anne Tuohy em Um Sonho Possível (The Blind Side/ 2009) recebeu o Oscar de melhor atriz.

Hoje Sandra pensa mais no filho do que na carreira, afirma ela. O que dificultou sua decisão quando foi convidada para interpretar uma mulher que perdeu o filho em Gravidade. “Ninguém gosta de pensar nisto. Quando estava filmando eu me dizia, ‘que coisa estranha ter de vivenciar esta situação’.  Mas explorei essas emoções porque, se não as sentisse pessoalmente, não conseguiria transmiti-las na tela. E sempre me perguntava: ‘o que eu faria se fosse real? Sei que seria muito pior do que interpretar aquela mulher no filme.”  TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO 

Veja galeria de fotos com alguns filmes da carreira de Sandra Bullock:

 

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