Sandra Bullock está de volta, armada e poderosa

Miss Simpatia 2, que estréia hoje em mais de cem salas de todo o País, é o tipo do filme que você já começa a esquecer antes mesmo de terminar de assistir. Não entenda estas linhas como desestímulo para ir aos cinemas, pois a personagem de Sandra Bullock continua irresistível. Você se lembra dela - Gracie Hart. A agente do FBI que, no filme anterior, passava por um banho de butique para infiltrar-se entre as candidatas do concurso Miss EUA - como parte da caçada a um criminoso -, está de volta e totalmente em crise. Logo nas primeiras cenas, Gracie leva o fora do namorado, arranja uma parceira de maus bofes que a hostiliza e faz tantas besteiras no exercício da profissão que, de nova face do FBI, como pretendia seu chefe, vira um constrangimento para a central de investigações. Mas ela conseguirá dar a volta por cima. Duvida? Vai arranjar uma amiga na parceira hostil, interpretada por Regina King, de Ray. E vai reencontrar a Miss EUA do filme anterior, Cheryl, que é seqüestrada e jurada de morte em Las Vegas, em companhia do apresentador do concurso, Stan Fields (William Shatner, o capitão Kirk da série Jornada nas Estrelas). É um filme de fórmula, que transpõe para o feminino o esquema das duplas de policiais brancos e negros. E trata de relacionamentos, não necessariamente de casais. Gracie Hart não é só Miss Simpatia 2. Ela é também armada e poderosa, como informa o subtítulo. Em Vegas, hospeda-se no Venetian e só para ver a breguice de um dos hotéis mais caros do mundo já vale ir ao cinema. O Venetian é aquele hotel que reproduz Veneza no seu lobby, com direito a Piazza di San Marco e canais onde circulam gôndolas exatamente iguais às italianas. É o cenário da perseguição de Gracie à falsa Dolly Parton, se bem que, em Vegas, é difícil descobrir o que é fake ou não. Há também a boate tipo gaiola das loucas e o Treasure Island, onde culmina a ação e a turma do mal é desmascarada. Nada disso é relevante, mas diverte. E como resistir a um filme em que Sandra, ao usar um vestido de paetês, diz que o modelito era de Edgar J. Hoover? Você sabe quem foi. Não sabe? Hoover foi o duríssimo diretor do FBI na época mais brutal da guerra fria. Era mais poderoso que o presidente dos EUA, fazia e desfazia reputações, tinha permissão para matar. E era gay, mas, claro, este foi o segredo mais bem guardado da política norte-americana.

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