Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Estadão Digital
Apenas R$99,90/ano
APENAS R$99,90/ANO APROVEITE
Amazon Studios/EFE
Amazon Studios/EFE

Salma Hayek procura sua alma gêmea em 'Bliss'

Atriz trabalha ao lado de Owen Wilson neste drama de ficção científica sobre universos paralelos, lançado no Amazon Prime Video

Berenice Bautista, Associated Press

08 de fevereiro de 2021 | 11h00

CIDADE DO MÉXICO - Depois de atuar em inúmeros filmes de Hollywood, além de dirigir e produzir, é curioso saber o que levou Salma Hayek a se interessar por Bliss, um drama de ficção científica sobre universos paralelos em que trabalha ao lado de Owen Wilson.

“Leio muitos roteiros que me são enviados e esta história realmente era diferente e narrada também de uma maneira diferente. O diretor é muito interessante, sou fã dele”, disse a atriz mexicana referindo-se a Mike Cahil, que dirigiu entre outros filmes O Universo no Olhar e A Outra Terra.

Em Bliss, lançado no Amazon Prime Video, Owen Wilson interpreta Greg Wittle, recém-divorciado que, depois de um incidente traumático ao ser demitido da empresa em que trabalha, encontra Isabel (Hayek) num bar.



Ela jura que o conhece e lhe diz que o mundo que os cerca é falso, uma simulação, e que isto o leva a se afastar cada vez mais da sua velha rotina. “Isabel é uma cientista que vive num mundo talvez num futuro onde não existem problemas, tudo é perfeito e maravilhoso, mas as pessoas perdem a capacidade de apreciar as coisas. Então ela inventa uma máquina que cria uma simulação de diferentes mundos que são problemáticos e feios, para as pessoas poderem viajar até lá para vivenciarem problemas que, depois, as farão valorizar o mundo real”, disse Salma Hayek em uma entrevista por videoconferência a partir de Londres.

Nesse mundo simulado, que no filme é o nosso mundo atual, Isabel vive em uma barraca debaixo de uma ponte onde um dos seus maiores tesouros é um girassol. Às vezes, quando não tem nenhum dinheiro, ela se prostitui. E é obcecada em consumir uns cristais que lhe dão poderes telecinéticos, cujo prazer ela compartilha com Greg.

Numa cena, os dois vão a uma pista de patinação sobre rodas e fazem com que os outros patinadores se movimentem ao seu ritmo usando os cristais. Salma disse que ela e Owen tiveram de ter aulas para patinar;

“Achei que, como patinava quando criança, eu iria me lembrar. E de repente me saí muito bem”.

Para a atriz, foi maravilhoso trabalhar com Owen em uma história onde o ator, famoso por comédias como Zoolander e Os excêntricos Tenenbaums, teve a possibilidade de exibir seu talento para o drama, mas ela confessou que “ele é super mandão”.

“Rimos muito, embora vivendo um momento intenso no filme. Mas rimos o tempo todo”, disse a atriz. “Brigamos o tempo todo, mas rindo. Ele é super mandão e eu lhe dizia, ‘quem manda aqui sou eu”. Mas ele me dava ideias de como fazer todas aquelas coisas loucas. E eu lhe dizia “não me diga mais essas coisas que só vão me confundir ainda mais”.

 


Em meio às suas experiências com os cristais, e embora chegue a conhecer bem o mundo de Isabel, Greg tem um pensamento constante: a lembrança de uma filha que o procura desesperadamente.

“Podemos ver Bliss como um filme de ficção científica onde na verdade existem duas realidades. Mas este é um filme que os latinos podem gostar muito, pois fala de uma busca da alma gêmea, porque no final é uma história de amor e uma história de paternidade.

Falando de vida em família, Salma publicou no início da pandemia uma foto dela fazendo ioga com sapatos de salto sobre uma mesa, dizendo que depois de três semanas de confinamento já estava desesperada.

“E não sabemos quando vai terminar, isto é o pior de tudo”, disse ela sobre o estado de emergência que continua ainda quase depois de um ano.

Dentro das muitas “lições” oferecidas pela pandemia, a mais importante é a paciência, segundo ela. E ela também acha que é  uma bênção poder passar mais tempo em família, fazendo jantares criativos e vendo programas todos juntos.



“Isso tem sido maravilhoso. Meus cachorros estão felizes. Mas há momentos em que você já não aguenta mais”. Para a atriz, a pandemia teve um efeito similar à simulação de Isabel em Bliss, que poderia se traduzir como prazer, felicidade, paraíso celestial. Algo tão simples como ir ao cinema ou jantar com amigos, abraçar uma pessoa. De repente você valoriza tudo o que tínhamos então”, afirmou.

“A pandemia o faz pensar que o mundo que tínhamos em 2019 era uma espécie de bênção porque em 2020 começamos a apreciar todas as coisas que tínhamos como certo e subestimamos”.

Seu aclamado filme, Frida, que conquistou dois Oscars e lhe valeu uma indicação ao prêmio de melhor atriz, completará no próximo ano duas décadas.

Sobre todo esse tempo que decorreu desde então, ela afirmou: “o fato de o filme ter sobrevivido tantos anos já é um grande mérito”.

Tradução de Terezinha Martino

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.