Sabrina Greve prova seu talento no cinema

O primeiro encontro de Sabrina Greve com uma câmera lhe rendeu um prêmio de melhor atriz no Festival de Cinema de Brasilia. Sua personagem: a protagonista Biela, do filme Uma Vida em Segredo, da cineasta Suzana Amaral. Um papel que já se mostrou exigente desde a primeira cena, na qual ela teve de urinar em pé, embaixo de uma árvore, na frente das dezenas de pessoas que estavam no set."Fiquei tão nervosa que saí de lá quase chorando", lembra, rindo, a moça de 23 anos que nasceu em Limeira, interior de São Paulo. Biela, uma caipirinha de 17 anos obrigada a mudar-se para a cidade grande depois da morte do pai e que sofreu para se adaptar à sociedade, foi criada pelo escitor Autran Dourado no livro homônimo que inspirou o filme.Raízes no campo - A identificação de Sabrina com a personagem, segundo ela, foi imediata. Apesar de sempre ter morado em São Paulo, suas raízes estão no campo. "Toda minha família é do interior, tenho muitas tias Bielas. Esse jeito matuto, sensível, ligado à natureza e meio anti-social que é muito forte em Biela está, de certa forma, dentro mim."Este é apenas um dos motivos pelo qual a delicadeza do papel se encaixou perfeitamente a Sabrina. Ela é uma atriz intensa, apesar de jovem, que por mais de uma vez recebeu elogios por suas atuações em peças do diretor teatral Antunes Filho. Na tragédia Fragmentos Troianos, Sabrina interpretou a também protagonista Andrômaca, uma mulher mais forte que Biela, mas que exigia o mesmo grau de emoção.Fragmentos foi a última peça em que Sabrina trabalhou com Antunes, mas a história dos dois é mais antiga. Aos 17 anos, ela abandonou o balé clássico, que cursou por muitos anos, para entrar no Centro de Pesquisa Teatral (CPT), coordenado por Antunes. "Ele é meu mestre, meu grande professor", derrete-se a atriz.No currículo ela carrega participações em Drácula e Outros Vampiros e na série Pret-a-Porter, de Antunes. Foi enquanto atuava em Pret-a-Porter III que Suzana Amaral a conheceu. No fim do espetáculo, a diretora presenteou Sabrina com o livro de Dourado deixando uma única recomendação: "Preste atenção em Biela".Sem teste - Dois meses depois, sem ter passado por nenhum teste, as duas já estavam estudando a personagem. Para fazer o que chama de laboratório, Sabrina foi antes da equipe para Pirinópolis, em Goiânia, onde foi rodado o filme, para aprender a cozinhar."Biela é uma quituteira de mão cheia, e eu não sabia nem fritar um ovo", conta. "O pior é que hoje já esqueci tudo." A diretora Suzana Amaral conta que a primeira coisa que considera ao escolher um ator para trabalhar é se ele se encaixa no seu "sistema de trabalho". "Comigo o ator não pode chegar e fazer o que quer. Ele tem de atuar de acordo com a minha direção." Conhecendo o método do CPT, que ela chama de zen-budista, Suzana achou que jogando suas sementes lá elas certamente floresceriam. "Minha intuição disse que Sabrina se encaixaria no que eu buscava, por isso não fiz teste. Eu a dirigi para que ela fizesse exatamente o que eu queria. Trabalhamos muito, mas ela pegou", diz a diretora que já está trabalhando em mais dois roteiros baseados em livros de Clarice Lispector e João Gilberto Noll.Para Sabrina a diretora é uma guia. "Sem ela eu não teria ganho o prêmio", diz, modesta. O filme tem estréia prevista para maio do ano que vem, e além dele, a atriz também poderá ser vista no longa-metragem Seja o Que Deus Quiser, de Murilo Salles, no qual ela faz um personagem mais urbano, uma VJ da MTV.

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