Roterdã premia filmes da Argentina, Rússia e Coréia

Argentina, Coréia do Sul e Rússia foram os grandes vencedores da única mostra competitiva da 32.ª edição do Festival de Roterdã, dedicada a cineastas em início de carreira. Extraño, de Santiago Loza, Jealousy Is My Middle Name, de Park Chan-Ok, e With Love. Lilya, de Larisa Sadilova, receberam o troféu Tiger de melhor filme. O Brasil estava representado na competição pela comédia Narradores de Javé, o segundo longa-metragem da paulistana Eliane Caffé (Kenoma). Quatorze produções, entre primeiros e segundos filmes, disputavam o prêmio do festival. Cada vencedor também receberá 10 mil euros em troca dos direitos de exibição por uma rede de TV local. O júri, formado por Alberto Barbera (ex-diretor do Festival de Veneza), Duagkamol Limcharoen (produtor tailandês), os cineastas Mahamat Saleh Haroun (Chad), Olivier Assayas (França) e a agente de vendas Christa Saredi (Suíça), justificou a escolha de cada um dos premiados. Extraño foi resumido como um filme de estréia maduro e corajoso "ao inventar a própria linguagem visual para descrever os mundos interior e exterior de um homem que se torna estranho para a vida". Já With Love. Lilya foi descrito como uma visão humana e bem-humorada da "luta diária de uma mulher comum". Jealousy Is My Middle Name foi considerado "um filme ambicioso sobre as relações humanas, escrito e dirigido com confiança e sensibilidade". O prêmio da crítica, dado pela Federação Internacional de Críticos de Cinema (Fipresci), foi para Welcome To Destination Shanghai, do chinês Andrew Cheng. Os representantes da entidade decidiram pela produção chinesa por "sua inovação estilística e visual no formato digital e por seu cronometrado relato ficcional sobre as condições de vida em mutação da China contemporânea". Embora seu filme não tenha levado nenhum prêmio, Eliane Caffé considera positivo o saldo da passagem por Roterdã. "Só o fato de estarmos na competitiva nos deu maior visibilidade. Conseguimos fazer bons contatos com outros festivais e profissionais das mais diversas áreas de atuação e, principalmente, conseguimos testar a comunicação do filme (que é tão, tão brasileiro) com um público longe de casa", disse a diretora. "Creio que o nível dos filmes este ano esteve alto e o próprio júri reconheceu a dificuldade da escolha a partir de uma safra tão diversificada e de boa qualidade técnica; enfim, estamos já prontos para a próxima e com muita vontade de apresentar o filme no Brasil - o melhor lugar do mundo para exibi-lo no momento." Vânia Cattani, produtora de Narradores de Javé, também não ficou decepcionada. "Desde o início, senti que havia uma tendência para premiar filmes depressivos; o nosso está na contramão disso, está cheio de pobre feliz. O importante é que o nosso cinema, como um todo, fez bonito por aqui. Ônibus 174 bombou e Cidade de Deus (de Fernando Meirelles) nem se fala. Nós, que falamos de misérias mais ancestrais, conseguimos passar nosso recado direitinho", comentou Vânia, que agora vai acompanhar a carreira internacional do filme de Eliane nos festivais de Göteborg e, em seguida, Fribourg, na Suíça. Outros oito longas brasileiros foram exibidos na mostra principal, de caráter informativo. O documentário Ônibus 174, de José Padilha, sobre o seqüestro de um ônibus por um ex-menino de rua na zona sul do Rio, em 2001, recebeu uma menção especial dos jurados da Anistia Internacional. Segundo os representantes da entidade, o filme de Padilha mereceu o prêmio "por sua crítica incisiva à transmissão de TV ao vivo de eventos e por sua análise multifacetada da situação dos meninos de rua do Rio de Janeiro". O filme de Padilha disputava com outras nove produções estrangeiras o prêmio Doen da Anistia Internacional, que laureia histórias que lidam com os direitos humanos. A comissão julgadora leva em consideração a originalidade do estilo e o envolvimento pessoal do realizador. O júri acabou se decidindo pelo iraniano Women´s Prison, de Manijeh Hekman, por "seu sensível retrato da vida de uma vasta parcela de mulheres da sociedade iraniana dos últimos 20 anos e do seu uso efetivo da prisão perpétua como metáfora dessa sociedade". O vencedor também recebe 5 mil euros como prêmio.

Agencia Estado,

03 de fevereiro de 2003 | 12h11

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