Roteiro foi escrito em apenas seis dias

Na saída da primeira sessão mundial de Cosmópolis para mais de 3 mil críticos de cinema, em maio, no Festival de Cinema de Cannes, a sensação que pairava no ar era de certa frustração. Quem havia lido o livro de John DeLillo, no qual o longa é baseado, alegava que não havia se surpreendido com o filme por ser muito fiel ao romance. Já quem não havia lido o livro, não conseguia avaliar o trabalho hercúleo do diretor, que adaptou a obra para o cinema em apenas seis dias. Pouco depois da sessão, foi o próprio DeLillo que veio em defesa de Cronenberg. “Um livro é uma obra completamente diferente de um filme. Estou feliz com a adaptação. Esta é a história de um homem, um carro, que vive um colapso de uma época, em que de repente vi Nova York começar a ser ‘ocupada’ por limusines brancas e jovens ricos, protestos... Isto está na tela.”

Flavia Guerra - O Estado de S.Paulo,

13 de agosto de 2012 | 09h40

O diretor, quando questionado sobre as escolhas de praticamente reproduzir os diálogos do romance no roteiro, respondeu: “Os diálogos eram fantásticos. São a essência do filme. O que fiz foi extrair do livro os elementos cinematográficos. Quando, após seis dias, li o roteiro, pensei: ‘E é este o filme que quero fazer.”

Ao fazê-lo, admitiu que abriu mão de elementos que gostava no livro. DeLillo concordou e aprovou: “Tinha dúvidas sobre como ele iria lidar com o personagem do Benno Levin ( Paul Giamatti), que escreve um diário. Mas o diário não existe no longa. Pode parecer uma desvantagem. Mas não é”, disse o escritor. “Tiro o diário, mas, em contrapartida, dou Paul Giamati”, completou o diretor.

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