Roteiristas de Hollywood entram em greve após negociações

Roteiristas reivindicam um aumento na participação sobre a venda de filmes e programas em DVD e pela Internet

Dean Goodman, da Reuters,

07 de novembro de 2005 | 08h50

Roteiristas de cinema e televisão dos Estados Unidos entraram em greve nesta segunda-feira, 5, após o fracasso das negociações de última hora que tentavam evitar a primeira paralisação da Associação dos Escritores da América em quase duas décadas. A greve deve afetar muitos seriados e talk-shows de fim de noite, como The Tonight Show With Jay Leno, da NBC, e o Late Show With David Letterman, da CBS, que devem ter programas reprisados. Os roteiristas da Costa Leste pararam oficialmente à 0h01 (3h01 em Brasília) e foram seguidos três horas depois por seus colegas da Costa Oeste. A paralisação na Costa Leste provocou o fim das negociações que já duravam dez horas em Los Angeles entre o sindicato e a Aliança dos Produtores de Filmes e Televisão (AMPTP). Os roteiristas reivindicam principalmente um aumento na sua participação sobre a venda de filmes e programas em DVD e pela Internet. "Apesar do fato de que as negociações continuam, a WGA decidiu começar sua greve em Nova York," disse o presidente da AMPTP, Nick Counter, em nota. "Quando perguntamos se eles iriam 'parar o relógio' com o propósito de adiar a greve para permitir que as negociações continuassem, eles se recusaram." Uma greve prolongada pode custar centenas de milhões de dólares em faturamento e salários perdidos. Embora os estúdios tenham feito um estoque de roteiros, já prevendo uma greve, a produção de muitas séries deve parar já nesta semana, pois os roteiristas não irão aos sets de filmagem oferecer emendas de última hora nos textos. O impacto nos cinemas é menos imediato, já que os grandes estúdios já têm roteiros selecionados para o ano que vem inteiro. A Associação dos Escritores, que representa quase 12 mil roteiristas, disse ter retirado a reivindicação de maior participação nas vendas de DVD, o que a AMPTP na semana passada havia qualificado como "completo obstáculo a qualquer novo progresso". Mas o sindicato disse que os estúdios rejeitaram concessões no pagamento por downloads e streaming na Internet. Antes de a paralisação começar, os roteiristas de Los Angeles haviam enchido caminhões com sinalização para piquetes, água e mesas. Haveria piquetes em 14 grandes estúdios, incluindo Walt Disney e sua subsidiária ABC, Warner Bros., Paramount Pictures, CBS e Fox. Os sindicalistas dizem que participar dos piquetes é obrigatório e que entregar textos incompletos ao sindicato garante que não haverá trabalho às escondidas. A greve representa um dilema para autores que são também produtores ou criadores dos seus programas. "Tenho de descobrir como fazer greve e piquete contra mim mesmo", disse Spike Feresten, ex-roteirista e produtor da série Seinfeld, atualmente dono de um talk-show semanal na Fox. A última grande greve de Hollywood aconteceu em 1988 e durou 22 semanas, o que adiou o início da temporada de TV e custou cerca de meio bilhão de dólares em prejuízos ao setor. O economista Jack Kyser, de Los Angeles, disse que uma greve similar desta vez resultaria em prejuízo de pelo menos US$1 bilhão.

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