"Rosetta" tem sessões extras no CCSP

Tamanho foi o sucesso deRosetta, apresentado na Mostra do Cinema Contemporâneo daBélgica, que o Centro Cultural São Paulo resolveu promoveralgumas sessões extras. Elas ocorrem amanhã e domingo, às22h. Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados com umahora de antecedência na bilheteria.Rosetta, dos irmãos Luc e Jean-Pierre Dardenne,ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1999. Até hojenão teve lançamento comercial no Brasil, fato que por si só valecomo comentário sobre a qualidade da distribuição do cinema ditode arte no País. No entanto, bem lançado talvez não tivessedificuldade para encontrar seu "nicho de mercado", segundo ojargão da época.Mas, claro, Rosetta precisa encontrar seu público eeste deve ser composto de pessoas que se deixam surpreender porfilmes fora do esquadro e do esperado. As notícias que nos davamde Rosetta falavam de um filme cujo tema é o desempregoeuropeu. Soube-se que comovera o público do continente e até umalei com seu nome fora debatida no Parlamento europeu, discutindoo desemprego entre os jovens.Tudo isso fazia crer num filme depressivo, para baixo, acostumeira denúncia social. Ainda mais quando se pensa nahistória interpretada pela jovem atriz Emilie Dequenne: ela moranum trailer com a mãe alcoólatra, deseja simplesmente ter umavida normal, num emprego comum, mas este modesto objetivo pareceestar sempre fora do seu alcance.Por isso é com surpresa que se assiste a uma abertura defilme cheia de energia, com uma câmera na mão trepidanteregistrando a personagem que se debate, fisicamente, e resisteaté à exaustão física à notícia de que fora dispensada do seuemprego. Em Rosetta tudo será assim - energia física,corpo-a-corpo com a vida, com o social. É uma forma de novorealismo, muito físico, muito rente ao espaço físico da vida queestá sendo reinventado pelos irmãos Dardenne.Poucas vezes também um filme comentou com tamanhaagudeza o fato de que a crise coloca entre parênteses e portempo indeterminado a solidariedade social. Rosetta quer umemprego. Quer uma vida normal. Só isso. Fará tudo para obtê-la.Até mesmo um ato de traição que, o espectador sente, não estavade modo nenhum em seu horizonte moral. Por isso o filme comoveutanto na Europa. Levou muita gente a pensar se o modelo dacompetição social destemperada, se o vale-tudo proposto pelasnovas regras do jogo, se o desmantelamento do Estado debem-estar social, era mesmo uma situação desejável como faziacrer o Consenso de Washington.O filme não se termina sem uma fresta de luz, umaredenção. Mas esta também é tão exasperada, tão tênue eproblemática que em nada atenua o impacto do filme. Nobre é aarte que sacode a sociedade em seu marasmo e relembra que nada éinevitável no mundo dos homens.Rosetta. Direção de Jean-Pierre e Luc Dardenne.Bél/99. Duração: 90 minutos. Sexta e domingo, às 22 horas.Entrada franca - retirar ingressos com uma hora de antecedência. Centro Cultural São Paulo. Rua Vergueiro, 1.000, São Paulo, tel. 3277-3611. Até domingo.

Agencia Estado,

13 de fevereiro de 2003 | 15h42

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