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Rosane Svartman prepara filme de ‘Pluft’

O ator mirim só será escolhido em janeiro, mas primeiras fases de captação já foram encerradas

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

01 Janeiro 2017 | 03h00

Já se passaram mais de 60 anos – 61 – desde que Pluft, o fantasminha irrompeu na vida cênica brasileira. Em setembro de 1955, com direção da própria autora, a dramaturga Maria Clara Machado, a peça estreava num teatro que se tornou mítico, o Tablado. Pluft ganhou outras mídias, esteve em outros tablados. Chegou a estrear nos EUA e, coincidência ou não, anos depois surgiu um certo Gasparzinho, fantasminha camarada. No Brasil, Pluft virou filme – de Roman Lesage – em 1961. Depois, em 1975, tornou-se minissérie de TV, numa parceria entre a Globo e a TV Educativa.

Pluft está (re)nascendo de novo. No Rio, a diretora Rosane Svartman já concluiu a primeira fase de captação das imagens de um novo longa inspirado na série famosa. No começo de dezembro, o repórter visitou o set, montado num estúdio na Barra. Logo ali, além daquela grade que delimita o terreno, está a Vila Olímpica. Todos os investimentos na região foram feitos com vistas ao desenvolvimento pós-Olimpíada. Os Jogos foram-se – e foram um sucesso de estufar o peito e deixar o brasileiro orgulhoso –, mas agora o que mais se vê são placas de ‘Aluga-se’. Sem baixo-astral, a equipe trabalha com animação.

O filme está sendo rodado em 3-D, o que significa um equipamento mais pesado – e mais investimento. “Vai ser o primeiro infantil em terceira dimensão do Brasil”, conta a produtora Clélia Bessa, sócia de Rosane na Raccord Filmes. “É meu casamento mais bem sucedido”, brinca a diretora. “Clélia e eu estamos juntas desde Como Ser Solteiro, de 1998.” A produtora esclarece que, apesar de todo o apoio que a dupla conseguiu – “A peça de Maria Clara possui um apelo muito forte; está no imaginário de quase todo mundo” –, os recursos são limitados. “Estamos fazendo um produto para concorrer com os blockbusters de Hollywood, mas, sem o dinheiro deles, a gente tem de desdobrar a criatividade.” Mas se o 3-D encarece a produção, por que investir no formato?

“A própria história é quem pede”, avalia Rosane. “Com tudo o que ela tem, fantasmas, piratas, marinheiros, tesouro e uma menina corajosa, o 3-D terminou se impondo porque era preciso essa estética imersiva. Não creio que, no cinema, o público fosse aceitar tudo isso numa escala menor.” O repórter coloca os óculos para assistir, pelo monitor, a cenas já filmadas e pré-editadas. As majors que se cuidem. O filme está saindo muito bom. “Todo o desenho de produção está sendo muito diferente do que se costuma fazer por aqui. Cada detalhe, desde o roteiro, foi pensado para ser filmado em 3-D e live action”, diz Clélia. Como a peça, conta a história do rapto de Maribel pelo malvado pirata Perna-de-Pau, que espera chegar, por meio da garota, ao tesouro de seu avô.

Escondida no sótão de uma velha casa, Maribel conhece uma família de fantasmas e faz amizade com Pluft, o fantasminha que tem medo de gente. “A permanência de Pluft e o fato de a criação de Maris Clara atravessar o tempo está ligado ao que, para mim, é um tema universal, capaz de atrair adultos e crianças. Descobrir e aceitar o outro, vencer os próprios medos. É disso que estamos falando”, conta Rosane. No dia em que o repórter visita o set, a cena passa-se justamente no sótão, logo depois que Maribel foi apresentada a Pluft. O cenário é caprichadíssimo, um trabalho brilhante de Fabi Egrejas.. O fotógrafo Dudu Miranda esbanja segurança, Maribel é interpretada por Lola Belli, uma menina linda, encantadora, que Rosane escolheu por teste. Mas... Tem algo esquisito nesse set. A pergunta que não quer calar – onde está o próprio Pluft? Surpresa! O menino que vai fazer o fantasminha ainda não está escolhido, e por isso o filme está sendo feito em duas etapas.

A primeira envolveu locações numa praia belíssima do Rio Grande do Norte (Sibaúma, no distrito de Tibaú do Sul). A equipe então se transferiu para o Rio e filmou no Colégio Sagrado Coração de Maria, em Copacabana, onde Maribel sofreu o ‘sequestro’. O restante dessa primeira fase ocorreu no estúdio – no Polo Rio Cine Vídeo, na Barra. Em 4 de abril, a produção recomeça – e, aí sim, teremos Pluft. Ele será escolhido neste mês de janeiro, numa campanha que será deflagrada no dia 16. Os interessados devem ficar de olho, porque a mobilização será feita através das redes sociais. O garoto que vai fazer Pluft não precisará de prévia experiência de interpretação, mas, em compensação, terá de atender a pré-requisitos muito rígidos – 9 anos, uma altura e peso bem específicos e, somado a isso tudo, a especial habilidade de prender a respiração por um bom período debaixo d’água. Ou seja, interpretar não é preciso, mas mergulhar e ter resistência pulmonar, sim.

Você, que está lendo isso, deve estar agora se fazendo a segunda pergunta que não quer calar – por quê? O que ficar debaixo d’água tem a ver com a história do fantasminha? Em princípio, nada, mas na visão de Rosane Svartman, tudo. Rosane pesquisou muito para resolver o X da questão. Pluft é um fantasminha, mas não é um menino que morreu. Na peça e no filme, já o conhecemos como é. A solução computadorizada que o diretor Brad Silberling adotou em Gasparzinho, de 1995, desagrada à diretora porque retira do personagem seu caráter amigável e lhe confere uma dimensão, digamos, ‘mórbida’. É como se ele fosse um menino morto. É tudo o que Rosane não quer. Ela pesquisou muito, e um dias a ficha caiu. “Fiz uns testes com minhas filhas e começou a dar supercerto. Filmei-as debaixo d’água e percebi que o resultado me dava exatamente a fluidez que queria.”

Pluft, ou o garoto que vai fazer o papel, será filmado debaixo d’água, num aquário ou piscina – a produção ainda pesquisa a melhor alternativa. Depois, a água será eliminada digitalmente e a imagem aplicada sobre o ‘green screen’. Complicado? Do ponto de vista técnico, nem tanto. Mas, sim, o garoto terá de ter resistência e aprender a abrir os olhos e simular que está falando – tudo isso, os testes já mostraram que é possível. “Estou filmando em duas partes porque não conseguiria dar conta de ambas ao mesmo tempo. Aos 9 anos, um garoto cresce muito rapidamente. Vamos (e agora Rosane fala no plural porque o que vai dizer inclui o diretor de fotografia...) ter um problema sério porque filmamos todas as cenas da Lola/Maribel olhando para um ponto que seriam os olhos de Pluft. Vamos precisar que o garoto encaixe perfeitamente, porque senão vai ficar esquisito, se ela der a impressão de olhar para outra coisa que não os olhos dele.”

Nos quase 20 anos desde Como Ser Solteiro, Rosane Svartman fez também Mais Uma Vez Amor, Desenrola e Tainá, a Origem – este, o único que dirigiu como convidada, e não através de sua produtora. Também escreveu duas temporadas de Malhação e a novela Totalmente Demais. Tudo isso exige demais, mas Rosane destaca as parcerias – com Paulo Halm, José Lavigne, Ricardo Perroni e Glória Barreto. Ela fez a adaptação de Pluft com Lavigne e Cacá Mourthé, que trabalhou com Maria Clara Machado no Tablado e sabe tudo sobre o fantasminha. Ah, sim, a diretora está encantada com seu pirata da Perna de Pau – “Juliano Cazarré superou toda expectativa. Suas cenas com o papagaio são ótimas.”

ENTREVISTA, Juliano Cazarré, ator

‘Finalmente, meus filhos vão poder me ver’

Destaque no cinema brasileiro em 2016 por Boi Neon, Juliano Cazarré está feliz da vida com seu papel em Pluft, o Fantasminha. Finalmente, seus filhos menores poderão vê-lo na telona.

Como Pluft surgiu em sua vida?

Foi a primeira peça de teatro que assisti quando criança, num teatro e depois na escola. E agora voltei a ter contato com esse trabalho. Fazer o pirata Perna de Pau está sendo incrível. Ele é malvado, mas também carismático. Além de ser a oportunidade de eu poder fazer um personagem que meus filhos poderão assistir. Estou no cinema nacional há um tempo, sempre com papéis mais ousados, e esse é diferente, voltado para o universo infantil.

Feliz com 2016?

Foi muito bom profissionalmente. Fiz novela, teatro, série e cinema. Encerrei A Regra do Jogo e já iniciei temporada de Um Bonde Chamado Desejo. Engatei com as gravações da série Vade Retro e agora o Pluft. Estou muito feliz!

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