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Rômulo Braga e o inferno de ‘Elon’, entre luz e sombra

Ator comenta seu personagem e o diretor e o fotógrafo contam como foi feito o elaborado o plano-sequência final

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

02 Maio 2017 | 03h00

Luz e sombra. O próprio diretor Ricardo Alves Jr. define seu longa Elon Não Acredita na Morte, que estreou na quinta, 27. Elon é interpretado por Rômulo Braga, que venceu o Candango de melhor ator no Festival de Brasília do ano passado. Ele procura a mulher que desapareceu e pode estar morta. No desfecho, percorre longos corredores, desce intermináveis escadarias numa morgue, onde pode estar o corpo. E...? A cena é tecnicamente brilhante – não apenas – e com certeza contribuiu para o prêmio de melhor contribuição artística que o filme ganhou no Festival de Macau.

Braga, nascido em Brasília e radicado em Minas – faz teatro em Belo Horizonte –, também está no elenco de Joaquim, de Marcelo Gomes. Em um é protagonista, no outro, coadjuvante. Qual a diferença? “Para mim é só o tempo de exposição na tela. O comprometimento e a preparação são os mesmos. E, se você é coadjuvante, quase sempre tem menos tempo de mostrar do que é capaz.” Braga não estava em Brasília para receber o prêmio. Foi melhor assim. “Não sei como reagiria. Não me sinto à vontade nesse jogo de celebridade. Ser ator tem esse lado cruel, porque a tendência é colocarem você numa gaveta, etiquetando seu trabalho. E eu gosto de me desconstruir na arte, surpreendendo os outros e a mim mesmo. Sou ator em tempo integral, 24 horas.”

Elon é um personagem ‘com camadas’. “Ele não acredita na morte porque, no fundo, também não acredita no amor, daí sua inconsistência e instabilidade.” Elon é louco? A questão surgiu durante o debate do filme em Brasília. Como a morte da mulher, é algo que fica para o espectador decidir – embora o diretor Alves Jr. jure que deixou pistas bem fortes. Braga fala em ‘psicanálise’ do personagem. As áreas sombrias da mente. “O Ricardo tinha um foco bem preciso, nunca teve dúvidas sobre o filme que estava fazendo.” E ele, como ator? “Trabalhando com o diretor, criando junto, não tem como se perder.”

O ator se sente à vontade nesses personagens introspectivos. Como é assim na vida, não sabe se os diretores o escolhem pela introspecção ou se ela está nos personagens. Vai fazer Macunaíma no teatro. Ama Grande Otelo no filme de Joaquim Pedro de Andrade – “É muito bom, mas a primeira parte é melhor.” Vamos ter então um Rômulo Braga extrovertido? “Não, porque o espetáculo é de bonecos. Estou aprendendo a ser bonequeiro.” De volta ao filme, toda a arquitetura dramática de Elon converge para o plano-sequência do necrotério. A pergunta que não quer calar – o diretor de fotografia Matheus Rocha, que também era operador, usou steadycam? “Não, não é steadycam, mas um novo dispositivo. Uma haste que mantém a câmera móvel enquanto você a carrega. Gostei porque, olhando na tela, consigo ver minha respiração na imagem.”

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