Romances tumultuados e dois Oscars marcaram vida de Elizabeth Taylor

Atriz protagonizou um dos maiores romances de Hollywood com Richard Burton e se dedicou a projetos de caridade.

BBC Brasil, BBC

23 de março de 2011 | 16h12

Atriz ficou conhecida por filmes grandiosos e vida pessoal tumultuada

A vida da atriz Elizabeth Taylor, que morreu nesta quarta-feira aos 79 anos, foi marcada por romances tumultuados e filmes grandiosos, que lhe renderam cinco indicações ao Oscar e duas estatuetas.

Seus oito casamentos, com sete maridos diferentes, e seus problemas de saúde constantes - entre eles câncer de pele, um tumor no cérebro, pneumonia e abuso de álcool e analgésicos - chegaram a ocupar mais espaço na mídia do que sua carreira cinematográfica.

Nos últimos anos ela vinha sofrendo de escoliose, que dificultava sua locomoção, e de insuficiência cardíaca congestiva, que a levou à morte em Los Angeles, após uma internação de seis semanas.

A atriz ficou conhecida também por sua dedicação à caridade e a causas como o combate à Aids.

Início da carreira

Elizabeth Rosemond Taylor nasceu em 27 de fevereiro de 1932 em Londres. Para fugir da Segunda Guerra Mundial, sua família mudou-se para Los Angeles, no Estados Unidos, quando ela tinha sete anos.

Elizabeth Taylor começou a atuar aos 12 anos

Aos 12 anos, Taylor fez sua primeira aparição em um filme e um ano depois foi alçada ao estrelado pelo filme A Mocidade é Assim Mesmo. Apenas seis anos depois, ela casou com primeiro marido, Conrad Hilton Jr., herdeiro da cadeia de hotéis Hilton. A união durou nove meses.

O ano de 1951, quando terminou seu primeiro casamento, também seria marcante também para a carreira da atriz. Ela atuou em Um Lugar ao Sol, seu primeiro grande filme, ao lado do ator Montgomery Clift, de quem seria amiga até a morte dele, em 1966.

Apesar de aclamada pela atuação em Um Lugar ao Sol, Elizabeth Taylor continuava buscando papéis que a consolidassem como atriz dramática. Em 1952, ela se casou com o ator britânico Michael Wilding, com quem teve dois filhos, e, no mesmo ano, atuou na adaptação de Ivanhoé para o cinema.

No ano seguinte, ela estrelou o clássico Assim Caminha a Humanidade, ao lado de Rock Hudson e James Dean, que morreria em um trágico acidente de carro após as gravações.

Em 1956, durante as gravações do filme épico A Árvore da Vida, o ator Montgomery Clift, com quem trabalhava no filme, sofreu um acidente de carro que o deixou desfigurado. Taylor impediu que ele morresse por asfixia retirando dois dentes de sua garganta.

Festa

No ano seguinte, dois meses após se divorciar de Wilding, a atriz se casou com o produtor de cinema e teatro Michael Todd. A união chamou a atenção quando Todd deu uma festa para Taylor, no aniversário de um ano de seu filme A Volta ao Mundo em 80 dias.

Com Eddie Fisher, Taylor atuou no filme que a deu o primeiro Oscar

A festa atraiu 18 mil pessoas ao Madison Square Garden, em Nova York, mas se transformou em uma guerra de comida e foi considerada um péssimo evento publicitário.

Em 1958, enquanto Liz Taylor filmava a adaptação da peça de teatro de Tenessee Williams Gata em Teto de Zinco Quente, Todd morreu em um acidente com seu avião particular.

O avião se chamada Lucky Liz ("Liz da sorte", em inglês). A morte do terceiro marido foi devastadora para a atriz, e sua atuação no filme lhe rendeu mais uma indicação ao Oscar.

Em 1959, a relação de Taylor com o cantor e ator Eddie Fisher, que era o melhor amigo de Michael Todd e marido da atriz Debbie Reynolds, causou escândalo.

Eles se casaram no mesmo mês em que Fisher se divorciou de Reynolds. Em 1961, eles atuaram juntos no filme Disque Butterfield 8. A interpretação de uma garota de programa atormentada no filme deu a Taylor sua segunda indicação e seu primeiro Oscar.

Três semanas antes da cerimônia do Oscar, uma forte pneumonia deixou a atriz à beira da morte e ela foi submetida a uma traqueotomia. Anos depois, ela diria que o prêmio de melhor atriz foi "de consolação" pela cirurgia.

Romance com Burton

A atriz conheceu Richard Burton durante o filme Cleópatra

Quando voltou ao trabalho, a atriz fez um de seus filmes mais lembrados, apesar do fracasso de bilheteria: o grandioso Cleópatra. Durante as filmagens, começou a relação de Elizabeth Taylor com o astro inglês Richard Burton, considerado um dos maiores romances de Hollywood.

Taylor e Burton se casaram em 1964 e fizeram doze filmes juntos. Mas suas constantes brigas e reconciliações ocupavam ainda mais espaço nas manchetes da época.

Em 1966, os dois atuaram juntos no aclamado filme Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, pelo qual a atriz ganhou seu segundo Oscar.

Durante o casamento, Burton costumava presentear Elizabeth Taylor com joias extravagantes. Em 1969, ele pagou mais de US$ 1 milhão por um diamante de 69 quilates, que ficou conhecido como o diamante Burton-Taylor.

O anel foi vendido pela atriz anos depois para financiar um hospital em Botswana, na África. O casamento de Richard Burton e Elizabeth Taylor terminou em 1974. Um ano depois, eles voltaram a se casar e se separaram definitivamente em 1976.

Os dois permaneceram amigos e trocaram cartas de amor até a morte de Burton, em 1984. A sobrinha de Taylor, Sian Owen, disse à BBC em 2009 que os atores "falavam por horas no telefone" muito tempo depois da separação, e que Elizabeth "ainda tem uma foto dele ao lado da cama".

Burton e Taylor tinham relação tumultuada e se casaram duas vezes

Em 2010, a atriz revelou à revista americana Vanity Fair que a última carta de Burton chegou em sua casa um dia depois do enterro do ator.

Até o fim da carreira, Taylor fez filmes de menos sucesso. Ela se casou mais duas vezes - com o senador americano John Warner e com o operário de construção civil Larry Fortensky, que conheceu em uma clínica de reabilitação.

Taylor se separou de Fortensky, que era 20 anos mais novo do que ela, em 1996. Um ano depois do divórcio, ela se submeteu a uma delicada cirurgia para a retirada de um tumor benigno do cérebro.

Caridade

A partir da morte do amigo Rock Hudson, em 1985, a atriz se tornou uma ativista pela conscientização sobre os perigos da Aids e defensora dos direitos dos homossexuais.

Em 1993, ela recebeu um Oscar especial, o Prêmio Humanitário Jean Hersholt, por seu trabalho com organizações de caridade. Seis anos depois, Taylor recebeu a Ordem do Império Britânico, passando a ostentar o título de "dama". Ela organizou bailes beneficentes anuais em Cannes, na França, que continuaram mesmo em sua ausência.

A atriz se tornou grande amiga do cantor Michael Jackson

Liz Taylor também se tornou conhecida pela amizade com o cantor Michael Jackson, que lhe dedicou diversos trabalhos. Por questões de saúde, ela não pode testemunhar no julgamento do cantor pelo abuso sexual de uma criança.

Em seu perfil oficial no Twitter, que existia desde 2009, Liz Taylor comentou questões como a decisão sobre o casamento gay na Califórnia e falou sobre a morte de Jackson, em 2009.

Em julho de 2010, ela respondeu a rumores de que outra atriz a interpretaria em um filme sobre seu romance com Richard Burton.

"Ninguém interpreta Elizabeth Taylor a não ser a própria Elizabeth Taylor. Pelo menos não até eu estar morta, e no momento estou me divertindo muito estando viva...e planejo continuar assim", disse.

Taylor se aposentou oficialmente como atriz em 2003.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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