Roman Polanski cancela participação no Festival de Locarno

Após criticas da imprensa provocarem polêmica sobre sua vinda, diretor, preso na Suíça em 2009, decidiu não participar do evento

Flavia Guerra/ Locarno , O Estado de S. Paulo

12 de agosto de 2014 | 09h51

 

O diretor polonês Roman Polanski cancelou nesta terça, 12, sua participação no Festival de Locarno, na Suíça. “Caros amigos, peco desculpas por informá-los que, tendo considerado a extensão das tensões e controvérsias que minha planejada participação no Festival de Locarno provocou nos que se opõem à minha visita, mesmo que eu respeite suas opiniões, é com o coração pesaroso que eu me vejo obrigado a cancelar minha visita. Estou profundamente triste de ter de desapontá-los ", declarou o diretor por meio de um comunicado oficial. 

O diretor é um dos convidados de honra desta edição do festival suíço, ao lado de outras personalidades como Melanie Griffith, Mia Farrow, Dario Argento, Victor Erice, Giancarlo Giannini e Juliette Binoche. No dia 15, sexta, o diretor apresentaria seu mais recente longa, Venus in Furs, e ministraria uma masterclasse aberta ao público do evento. Além disso, Polanski receberia um prêmio Pardo D’Oro pela carreira. 

A homenagem iria ocorrer cinco anos depois de o cineasta ter sido preso na Suíça. Polanski foi detido em 2009, quando seria homenageado no Festival de Cinema de Zurique, por conta de uma ordem de prisão internacional emitida em 2005, sob a acusação de ter mantido relações sexuais com uma menor nos Estados Unidos, há 30 anos. Em 2010, após meses vivendo em prisão domiciliar em sua casa nos Alpes suíços, a Justiça local negou o pedido de extradição dos EUA e decidiu liberar o diretor. 

É justamente este fato que provocou críticas da imprensa conservadora do Ticino, região onde se localiza a cidade de Locarno, no sudeste da Suíça. Durante o fim de semana, o jornal italiano Corriere della Sera também publicou artigo em que comentava a polêmica. Os comentários chegaram até Polanski que, a julgar pela sua postura, preferiu não enfrentar a opinião pública e a imprensa caso o assunto fosse levantado durante sua visita ao festival. " Depois de vários dias de sol, Locarno esta ensolarada nesta terça-feira. Mas hoje para mim é o dia mais escuro desde que me tornei diretor do festival. A decisão de Roman Polanski de recusar meu convite me entristece profundamente. Hoje estou triste porque o público de Locarno será privado do encontro com um artista extraordinário, que tinha abraçado nossa proposta de dar uma única aula de cinema. Estou triste porque o público da Piazza Grande não vai poder cumprimentar um mestre do cinema. Estou triste porque a ideia de festival como lugar de encontro e discussão sofre hoje um grande golpe ", declarou Carlo Chatrian, diretor artístico do festival. 

“ Tenho o máximo respeito pela liberdade de expressão de cada um e me obriguei a escutar cada crítica com o máximo de atenção. Mas devo dizer que desta vez algumas opiniões ultrapassaram os limites e, por meio da violência verbal e da manipulação da realidade, tornaram-se um ataque inaceitável à liberdade do indivíduo. Entendo e respeito a decisão de Polanski. Espero sinceramente que sua ausência não soe como uma vitória para os que querem ofuscar o festival, mas se torne uma plataforma para impulsioná-lo e como espaço para a liberdade e lugar de acolhimento”, completou Chatrian. 

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