REUTERS/Jacky Naegelen
REUTERS/Jacky Naegelen

Roman Polanski ameaça processar Academia de Hollywood por sua expulsão

O advogado do diretor alega que a instituição não seguiu suas próprias regras e nem as leis da Califórnia ao negar uma oportunidade de defender-se

EFE

09 Maio 2018 | 17h09

 

O advogado de Roman Polanski enviou ontem uma carta à Academia de Hollywood, na qual sustenta que a decisão de expulsar o cineasta como membro desse grupo é ilegal, e ameaça levar o caso aos tribunais, informou nesta quarta-feira o jornal "Los Angeles Times".

O advogado Harland Braun alega que a Academia não seguiu suas próprias regras e nem as leis da Califórnia ao negar ao diretor uma oportunidade para defender-se.

"Não estamos aqui combatendo as razões da expulsão, mas a descarada desconsideração da organização de vocês sobre seu próprio código de conduta, assim como as violações das regras requeridas pelo código de corporações da Califórnia", destacou o advogado.

+++ Polanski denuncia assédio após ser expulso da Academia de Hollywood

No último dia 3, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood anunciou que, após uma votação, tinha decidido expulsar seus membros Bill Cosby e Roman Polanski por não cumprirem as normas de conduta da organização, estabelecidas em janeiro após o surgimento do movimento "Me Too".

+++ Academia de Cinema dos EUA expulsa Bill Cosby e Roman Polanski

A decisão foi anunciada poucos dias depois de o comediante americano ter sido declarado culpado de três crimes de agressão sexual.

Polanski, por sua parte, está acusado nos Estados Unidos de ter violentado Samantha Geimer em 1977, quando esta tinha 13 anos, embora a mulher há anos assegure que perdoou o diretor e quer fechar o caso.

+++ Quentin Tarantino se desculpa por defender Polanski em caso de estupro

Posteriormente, apareceram outras acusações de mulheres contra o cineasta, de 84 anos.

O diretor se declarou culpado no caso de Geimer, mas se fugiu para Europa antes de receber sua condenação.

Polanski apresentou no ano passado uma série de documentos para retornar aos Estados Unidos e fechar o caso sem ter de passar pela prisão, mas um juiz de Los Angeles rejeitou sua proposta.

+++ Polanski afirma que Netflix não representa ameaça para o cinema

O diretor, que foi indicado ao Oscar em cinco ocasiões e ganhou a estatueta em 2003 por "O Pianista", quer uma audiência com os membros da Junta de Governadores da Academia para explicar sua versão dos fatos, segundo disse Braun em entrevista ao jornal.

Para Polanski, segundo o relato de Braun, os membros da Academia "são um grupo de hipócritas".

"Quando lhe deram o Oscar, todos sabiam a existência desse caso. Não era um segredo. E de repente se voltam contra ele e o expulsam sem que possa pronunciar-se a respeito. Acho que pensavam que este caso ia ser simples: um homem de 84 anos não vai lutar, não?", ponderou o advogado.

Mais conteúdo sobre:
Roman Polanski

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.