Roma já comemora a segunda edição de festival de cinema

Neste ano, evento chamou a atenção por seu alto investimento e por protestos, que tingiram a Fontana di Trevi

Flávia Guerra,

07 Outubro 2025 | 07h47

Sean Penn mostrou na quarta-feira, 24, seu Into the Wild, a quarta experiência do ator na direção, durante o 2º Festival Internacional de Cinema de Roma. Causou rebuliço a passagem do ator e de seu protagonista, o jovem Emile Hirsch, pelo tapete vermelho. Mais barulho ainda já haviam feito Francis Ford Coppola, no sábado, Tom Cruise e Robert Redford, na terça-feira.   Coppola veio mostrar seu primeiro filme em dez anos, Youth Without Youth, com Tim Roth e Bruno Ganz, e ainda trouxe toda a família para o festival que escolheu para marcar sua volta ao cinema. Redford e Cruise vieram mostrar sua visão crítica sobre o "mundo pós 11 de Setembro’ e a ocupação do Iraque pelos EUA com Lions For Lambs (algo como Lobo em Pele de Cordeiro). Cate Blanchett abriu a semana com Elizabeth - The Golden Age, dirigido por Shekhar Kapur.   O esforço em trazer nomes de peso do cinema internacional para a capital romana, na tentativa de firmar o RomeFilmFest como um dos mais importantes eventos cinematográficos do mundo, parece estar funcionando. O tapete vermelho de Roma tem atraído também a atenção de fãs e da imprensa mundial. Mas nem só de tapete vermelho vive um festival. O RomeFilmFestival está apenas em sua segunda edição e também já começa a ganhar fama de fato internacional muito em função do ‘atentado’ cometido ‘contra’ o mármore da secular Fontana di Trevi, no coração da capital italiana.   Ironicamente, no dia 19, logo após a abertura do festival, o monumento foi tingido de vermelho em protesto ao festival, apontado como origem dos gastos exagerados por parte da Prefeitura de Roma, na figura do prefeito e grande idealizador do festival Walter Veltroni. O militante de extrema direita Graziano Cecchini foi apontado pelas câmeras se segurança como o autor do atentado. Negou. Disse que querem incriminá-lo. É pena.   Cecchini já tem até apoiadores. "Mas foi uma bela idéia. Devia mudar de cor toda semana", brincava Salvatore Alessio, um romano típico que não tem nada contra a festa. "Acho ótima. Traz turistas e gente famosa para a cidade", dizia enquanto vendia suas tradicionais castanhas para os turistas afoitos em conferir se a travessura (seja de Cecchini ou não) havia de fato maculato o mármore.   Nem o mármore. Nem o RomeFilmFestival. As críticas parecem não causar nenhuma mancha sobre este que tenta se tornar o maior, se não o melhor, festival de cinema europeu. Há um longo caminho a percorrer pelo tapete vermelho.   Hollywoodianos   Para ajudar, Veltroni e companhia convocaram um exército de nomes como (além de Coppola, Cruise, Redford e Penn) Sophia Loren, Joaquin Phoenix, Terrence Malick, Ang Lee (que venceu a última edição do ‘festival rival’ Veneza com seu Lust,Caution). Nesta quinta, dia 25, chegou Sharon Stone para ajudar a vencer esta batalha. Halle Berry chega na sexta-feira para fechar a festa com Things We Lost in the Fire, de Susanne Bier.   A guerra não está ganha. Para trazer esta constelação, uma verdadeira fortuna foi necessária. É aí que entra a Fontana di Trevi. O ‘protesto’ se referia aos gastos astronômicos pagos aos astros hollywoodianos. Há quem diga que os cachês chegam a mais de US$ 10 milhões por cada estrela cadente que passou pela cidade.   O fato é que a criticada sangria trouxe resultado. Além da seção Première, que concentra a maioria dos filmes americanos e as estrelas do cinemão, o festival conta com a mostra competitiva Cinema 2007, que traz o frescor de obras como O Passado (de Hector Babenco), que estréia nesta sexta no Brasil; a seção Outras Visões, que traz no programa o polêmico documentário Manda Bala, do jovem Jason Kohn, sobra a indústria da violência no Brasil.   Sem contar a presença sempre necessária do sempre irônico e crítico Dario Argento com seu aterrorizante La Terza Madre. Não se pode deixar de destaque a sessão especialíssima de Era Uma Vez no Oeste, o clássico de Sergio Leone que foi totalmente restaurado graças ao esforço da Fondazione Cinema per Roma, da Paramount e da Film Foundation, entidade presidida por Martin Scorsese que vem restaurando clássicos do cinema de todo o mundo. Foi a mesma fundação, comandada por Scorsese, que em Cannes exibiu o lendário Limite, do brasileiro Mário Peixoto, totalmente restaurado. Scorsese não pôde vir apresentar o clássico que o inspirou tanto em sua carreira, mas mandou Ang Lee no lugar. Nada mal.   Melhor ainda é saber que mais de 50 mil pessoas já passaram pelas tantas salas que se concentram no Parco della Musica, o centro nervoso do festival, ao norte da cidade, e também nas que se espalham pela cidade. Há sessões para o público juvenil (a seção Alice nella Città), há oficinas, encontros e o mercado, que já configura o maior dos festivais, perdendo somente para o festival de Cannes.   Há quem reclame da falta de celebridades - Ironicamente, os diretores da Festa de Roma (como o festival é chamado) tiveram de se defender publicamente na quarta-feira diante de críticas opostas da imprensa européia, sobretudo a italiana, que acusava o evento de prometer e ‘não entregar’ o pacote completo do star system. "É curioso que depois da constelação que passou por aqui, sejamos criticados pela falta de nomes que nunca dissemos que viriam, como Meryl Streep (que está em Lions for Lambs), Benicio del Toro (que divide a cena com Berry) e Keira Knightley (a estrela de Seda, dirigido pelo canadense Francis Girard e baseado no romance de Alessando Baricco). Ano passado, com a mesma determinação, fomos acusados de abusar exatamente da presença de estrelas. É de fato difícil não ceder à tentação de sempre criticar negativamente um festival que, já antes de terminar, superou o número de público de sua primeira edição", declararam Francesca Via, Teresa Cavina, Piera Detassis, Gianluca Giannelli, Giorgio Gosetti, Mario Sesti.   Na manhã deste sábado, Ennio Morricone rege a Orquestra Santa Cecília e a cerimônia de premiação do festival. O júri, presidido pelo diretor bósnio Dani Tanovic , tem à frente a tarefa de provar que nem só de tapete vermelho se faz um grande festival.   A repórter viajou a convite do festival

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