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Roland Emmerich, o Sr. Efeitos Especiais, fala do novo filme

'O Ataque' prova que o diretor tornou-se o mais 'americano' dos cineastas

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

11 Setembro 2013 | 19h57

Seu nome é Roland Emmerich, mas, se quiser, pode chamá-lo de sr. Efeitos Especiais. Emmerich começou com filmes pequenos, mas desde Stargate e, depois, através de Independence Day e todos aqueles títulos que você sabe – Godzilla, O Dia Depois de Amanhã, 2012, etc. –, realizou histórias cada vez maiores. Alemão, virou o mais ‘americano’ dos cineastas. Prova-o mais uma vez com O Ataque. Terroristas invadem a Casa Branca e tentam fazer o presidente dos EUA refém. Não são árabes nem pertencem à Al-Qaeda. Os inimigos da América, segundo Roland Emmerich, são americanos. Felizmente, há um herói nessa história toda – dois.

Um agente que acaba de ser rejeitado para servir o presidente e o próprio cara, o presidente. Channing Tatum e Jamie Foxx. O presidente é negro – como Barack Obama – e está tentando fazer história ao propor um arrojado plano de paz para o Oriente Médio. Fere interesses poderosos – do complexo industrial/militar, que precisa da guerra para faturar. Emmerich fez muitos filmes de efeitos, mas não necessariamente de ‘machos’, daqueles com heróis que batem e arrebentam. Houve Soldado Universal (o primeiro), talvez Independence Day (em que Will Smith metia a porrada nos alienígenas) e agora O Ataque.

É um diretor que adora explodir monumentos representativos da cultura. A Casa Branca, que agora deixa em ruínas, já havia sido estourada pelos invasores de Independence Daye, no seu furor destrutivo, Emmerich não poupou nem o Corcovado, reduzindo o Cristo Redentor a sucata em 2012. Ele diz que o símbolo lhe interessa não como metáfora, mas justamente por ser conhecido. Emmerich não é daqueles diretores/autores, que os críticos levam em consideração. Mas é um caso, com certeza. E curioso de analisar. Nos últimos anos, Emmerich tem sido uma presença permanente no evento chamado de Sony of Summer, que a empresa realiza no México para mostrar seus filmes. A entrevistas abaixo, e com os astros do novo filme, foi feita lá. Emmerich chega sempre de mãos dadas com o namorado. É gay assumido, não nega para ninguém. Ao repórter, disse certa vez, brincando, que na casa dele não existe armário.

Um gay que faz filmes de macho? Interessante. Você já terá ouvido que muitas mulheres conseguem ser mais machistas que os homens. Emmerich não filma seus heróis para satisfazer fantasias homoeróticas. Mas é um diretor que aprecias mulheres fortes e homens fracos. Como? Logo no começo de O Ataque, Maggie Gyllenhaal, como a agente encarregada do recrutamento, põe fim às ambições de Tatum. Ele é o tipo do homem que não consegue concluir o que começa. Foi assim que o casamento ruiu. Como pai, ele também é uma negação. Mas vai ser o homem certo no momento errado. Ele vai estar na Casa Branca – por acaso –, vai proteger o presidente, formando uma ‘dupla’ e, o mais importante, vai se realizar como pai aos olhos da filha.

Channing Tatum fala de seu diretor – “Se você quer saber tudo sobre efeitos, Roland é o sujeito. Mas ele não pensa no efeito pelo efeito. Tem de estar a serviço da história. Ele queria que eu correndo, saltando, batendo pensasse sempre no meu personagem como um homem em busca de segunda chance. Querendo, finalmente, ser o pai que nunca conseguiu ser.” E Jamie Foxx, depois de ser um escravo alforriado em Django Livre, de Quentin Tarantino, como se sente na pele do presidente? “Tomei meu amigo Barack (Obama) como referência. Seu astral, pelo menos. Meu presidente também está querendo imprimir sua marca, fazer a diferença. É o homem certo para um momento de transformação, mas forças reacionárias vão tentar impedi-lo de agir.” Como sempre nos filmes de Emmerich, o diálogo é pueril – e, nas cópias dubladas, dito com empostação, chega a ser risível. Mas a ação – e esse é um filme de ação – é boa. O ataque tem músculos.

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