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Roland Emmerich fala sobre a importância de ‘Midway – Batalha em Alto Mar’, seu novo filme

Longa se passa durante a Segunda Guerra Mundial, durante uma das maiores batalhas navais da história

Mariane Morisawa, especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

19 de novembro de 2019 | 19h08

ZURIQUE - Fazia 20 anos que Roland Emmerich queria dirigir Midway – Batalha em Alto Mar. Ele vendeu a ideia logo depois de Godzilla (1998). “O chefe do estúdio Sony, John Calley, amou a ideia, disse que ia fazer”, disse ele, em encontro com fãs durante o Festival de Zurique, onde recebeu um prêmio pela carreira, que já dura 40 anos. Mas o projeto esbarrou em custo. “Calley me perguntou se eu conseguiria fazer por menos de US$ 90 milhões, e eu disse que não dava para ser menos de US$ 120 milhões, porque ninguém tinha feito os efeitos visuais daquele jeito”, contou Emmerich. E assim, ele acabou indo fazer O Patriota

Mas agora o diretor alemão que fez carreira em Hollywood com filmes como Independence Day e O Dia Depois de Amanhã finalmente conseguiu realizar o longa-metragem sobre uma das maiores batalhas navais da história, que aconteceu entre 4 e 7 de junho de 1942 e que foi decisiva no Teatro de Operações do Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial. Nela, os americanos, que tinham entrado na guerra depois do ataque japonês a Pearl Harbor em dezembro de 1941, superaram as forças superiores do Japão. 

Não que tenha sido fácil levantar o orçamento dessa vez. A Hollywood de 2019 é normalmente reticente em financiar produções originais ou baseadas em livros ou quadrinhos. Emmerich voltou as suas origens de cineasta independente. “Fui forçado. Fui a todos os estúdios, e todos disseram que o orçamento era muito alto”, contou. No fim, com dinheiro da China e de produtores independentes, ele conseguiu fazer Midway. “Foi muito difícil, cheio de idas e vindas, mas tenho a sensação de que para muitos diretores como eu é o futuro, porque os estúdios não querem arriscar nada. E com todo filme que custa acima de US$ 50 milhões, o risco é grande. Além disso, os filmes de guerra não costumam ser um estouro de bilheteria, então eles decidiram não investir. Foi duro, mas tenho orgulho do filme.” 

Ele cita o exemplo dos irmãos Joe e Anthony Russo, que, mesmo tendo dirigido diversos sucessos para a Marvel, tiveram dificuldades de financiar projetos menores, como Mosul, filme sobre a Guerra do Iraque sob a perspectiva dos soldados iraquianos. “O que os Russo fizeram antes não importa para a Hollywood de agora porque não acham que foram os diretores os responsáveis pelo sucesso, mas a Marvel e o Kevin Feige.”

Ele espera que Hollywood mude. “Não acho que a qualidade dos filmes feitos agora seja comparável ao que foi produzido nos anos 1970, 1980, 1990”, disse Emmerich. “Ainda há bons longas sendo produzidos, mas muitos não são e só funcionam porque têm um herói vestido de maneira engraçada e que pode voar. Não acho que Hollywood esteja fazendo um bom trabalho em educar o mundo, porque estão dizendo que os super-heróis existem. E eles não existem.” Mesmo em suas obras cheias de ação, Emmerich sempre quis mostrar o heroísmo das pessoas comuns em circunstâncias extraordinárias – como no longa que o inspirou a ser cineasta, Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977), de Steven Spielberg. 

Mas, no fim, ele acha que foi bom ter tido de esperar para fazer Midway. “O filme conta a história de pessoas lutando contra o fascismo – e todos tinham consciência disso na época”, disse. “Vivemos numa época em que o nacionalismo está se contrapondo ao globalismo. Eu sou globalista, acho que todos devemos trabalhar juntos. Nações são coisa do passado. Mas temos demagogos por aí dizendo para as pessoas serem nacionalistas porque assim tudo vai ser melhor. Só que foi o nacionalismo que causou a Segunda Guerra Mundial. Então acho que é uma boa história para contar hoje.”

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