Rodrigo Santoro, sem folga do cinema

O cinema não tem dado folga ao ator Rodrigo Santoro. Ainda colhendo prêmios por sua performance em Bicho de 7 Cabeças, no qual viveu um jovem internado pelo pai em um manicômio, ele está de volta ao set com um novo personagem, um presidiário, no longa Carandiru, sob direção de Hector Babenco. Nas poucas horas de folga, Santoro também trabalha na divulgação de Abril Despedaçado, filme de Walter Salles Júnior que estréia no País no fim do mês.?Acabei de voltar de Los Angeles e a aceitação do filme foi total. O lançamento foi fantástico?, exalta-se o ator ao falar sobre Abril Despedaçado, baseado no romance homônimo do escritor albanês Ismail Kadaré, que foi bem recebido pela crítica e pelo público nos Estados Unidos. No filme, Santoro interpreta um rapaz de 18 anos, obrigado pelo pai a vingar a morte do irmão. Seu personagem balança entre a lealdade à família e a vontade de quebrar o implacável ciclo de violência.Mais uma vez a atuação do ator promete despertar a atenção da crítica e do público. Do produtor de Abril, o americano Arthur Cohn, ele já ganhou um forte estímulo. ?Rodrigo Santoro tem grandes chances de se tornar um ator internacional.? Modesto, Santoro tenta amenizar o elogio. ?O Cohn é uma figura carinhosa, acredita em mim como ator. Mas já estou satisfeito em ganhar prêmios como o do Festival de Brasília e do Recife. Mas é claro que não vou recusar qualquer oportunidade no exterior que me agrade.?Depois de Bicho e Abril, e agora com Carandiru, Rodrigo Santoro, aos 26 anos, afirma que a experiência no cinema revolucionou sua carreira. ?Trabalhar com mestres como Walter Salles e Hector Babenco mudou minha cabeça.?Filmando no Pavilhão 2 - Carandiru, que Santoro está filmando desde o último dia 25 de janeiro em São Paulo, é definido por ele como ?muito trabalhoso, um filme que requer muita pesquisa?. ?Não sou o destaque. Sou como as centenas de figurantes que fazem parte do filme.? Baseado no best seller Estação Carandiru, de Dráuzio Varella, e orçado em R$ 12 milhões, o filme relata a vida dos presidiários na Casa de Detenção em São Paulo, e tem como ponto alto a rebelião e a invasão policial ocorrida em outubro de 1992, que resultou no assassinato de 111 presos pela PM. As filmagens estão sendo realizadas no Pavilhão 2 do Presídio do Hipódromo, desativado, e no estúdio da Vera Cruz, em São Bernardo do Campo. ?O filme deve estrear no fim deste ano ou no começo de 2003, nada antes disso?, diz Rodrigo Santoro, que, a pedido do diretor Hector Babenco, não pode dar detalhes sobre o longa.Nascido em Petrópolis, no Rio, Santoro começou a se interessar pelo ofício de ator quando ainda estudava Comunicação na PUC do Rio. Em 93, após fazer um teste na oficina de atores da Globo, foi chamado para fazer um pequeno papel na novela ?Olho no Olho?. Depois de várias novelas na Globo e alguns inexpressivos papéis no teatro, Rodrigo resolveu dar uma virada na carreira ao aceitar o convite da diretora Laís Bodanzky para protagonizar o longa-metragem Bicho de 7 Cabeças. ?O filme era um risco. Não conhecia o trabalho da Laís, mas, no final, o relacionamento com ela foi impressionante. E o sucesso foi espantoso, já que era um filme de orçamento baixo, com um tema pesado, nada de comercial, que ganhou público no boca a boca.?Santoro, porém, não se esquece das vaias que recebeu antes da sessão oficial de Bicho no Festival de Cinema de Brasília, em novembro de 2000. ?Depois que o filme terminou, duas pessoas vieram me pedir desculpas pelas vaias.?Bicho de 7 Cabeças rendeu a Rodrigo Santoro cinco prêmios. O último da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), que ele recebeu no Teatro Municipal na terça-feira da semana passada.Galã não deixa TV - Rodrigo Santoro não quer parar de fazer televisão. Mesmo apontado pela crítica como um bom ator de cinema, ele não vai se afastar da telinha e promete voltar a fazer novelas ainda este ano. ?Assim que eu acabar as filmagens de ?Carandiru?, volto para a tevê?, diz o ator, que tem contrato com a Globo até o final de 2004.Desde que fez o teste na oficina de atores da Globo, em 93, Santoro, que na época ainda era conhecido por Rodrigo Junqueira dos Reis, conquistou aos poucos personagens importantes na teledramaturgia, sempre fazendo tipos aventureiros e românticos.Depois de uma ponta na novela Olho no Olho, Santoro interpretou o belo Fernando em Pátria Minha, em 94. No ano seguinte, ele viveu Serginho, em Explode Coração, primeiro papel de destaque do ator. A autora Glória Perez pôs em discussão o relacionamento amoroso entre parceiros de idades diferentes, no caso o garoto Serginho com a quarentona Beth (Renée de Vielmond). Beth acaba tendo um bebê com Serginho, depois de conseguir reverter a ligadura de trompas. ?Esse personagem foi muito falado na época. Ele quase virou protagonista da trama.?A chance de ser protagonista de um folhetim veio em 96, em O Amor Está no Ar, de Alcides Nogueira. Seu personagem, Leo, era funcionário da empresa de Sofia (Betty Lago). Ela e a filha Luíza (Natália Lage) se apaixonam por Leo e a trama se desenrola no conflito entre as duas pelo amor do rapaz.Mas o papel de que Santoro fala com um carinho especial é do Frei Malthus em Hilda Furacão, de 98. A minissérie, adaptada por Glória Perez da obra de Roberto Drummond, mostrou cenas quentes de paixão e nudez entre ele e Ana Paula Arósio, na história de uma prostituta de família rica ambientada no Brasil pós golpe de 1964. ?Hilda Furacão foi muito importante para a minha carreira. Tive tempo para compor o personagem, que é cheio de conflitos?.Depois foi a vez do Eliseo Vieira em Suave Veneno, que teve um romance com a rica Márcia Eduarda, interpretada por Luana Piovani, na época namorada do ator na vida real. O último papel nas telinhas foi em março de 2001, vivendo Carlos Charles Pimenta, filho da ambiciosa Daphne (Lilia Cabral) em Estrela-Guia.Santoro é do tipo que não fica especulando sobre trabalhos futuros. Depois de Carandiru, aguarda algum papel na tevê que proporcione um desafio na sua carreira e nada mais.Enquanto isso, ele está analisando algumas peças de teatro e o roteiro de um próximo filme. ?Não quero ficar parado. Se tenho que descansar, vou surfar, jogar bola e ir ao cinema.?

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