Rodrigo Santoro ganha mais fama e músculos com <i>300</i>

Até 300, Hollywood considerava GerardButler e Rodrigo Santoro bons atores coadjuvantes em filmes desucesso ou protagonistas de produções pequenas. Os US$ 140milhões apurados nos dois primeiros fins de semana de exibição,só nos Estados Unidos, elevaram o nível de suas carreiras. Elesviraram estrelas e já sentem mudança no tratamento da indústria. Há mais em comum entre os dois galãs que provocam suspirosfemininos, mas estão quase irreconhecíveis em 300. Para elesisso é elogio porque deu trabalho ganhar a quantidade demúsculos que ostentam na tela. "Foi a parte mais difícil. Treinei muito para fazercrescer os ombros, os bíceps, os antebraços, o músculo dascostas, tudo", contou Butler em sua passagem pelo Rio. Com quase20 títulos no currículo, ele estreou no elogiado Sua Majestadee Mrs. Brown, fez o papel-título no musical de O Fantasma daÓpera, que não foi bem. Agora é Leônidas, o rei espartano quemorre pelos gregos. "São papéis diferentes. Em Mrs. Brown erainteriorizado, em Fantasma eu tinha gestos fluidos e em 300meus movimentos são selvagens. A coreografia das lutas, às vezescom outras pessoas, às vezes contracenando com o nada, não foifácil."Contracenando com cromakey Essa foi a dificuldade de Rodrigo Santoro, que nãocontracenou com outros atores. Como seu Xerxes é um gigante detrês metros, ele só representou diante de um croma-key (fundoazul onde as imagens são inseridas posteriormente) e sesurpreendeu com o resultado de sua atuação. "Havia o livro deFrank Miller, minha bíblia nas filmagens, mas eu não tinha idéiada estética do filme, porque só trabalhei nas duas últimassemanas", contou Rodrigo. Ele se dedica aos personagens, a ponto de tornar-seraquítico, como na microssérie Hoje É Dia de Maria, e aprenderpiano para viver um músico em Os Desafinados, de Walter LimaJr, ainda em pós-produção. "Não sei o que é mais difícil. Em300, me interessava viver uma criatura mitológica, vinda deuma história em quadrinho, coisa que eu nunca tinha feito.Contracenar com uma parede azul exige muita fé, para falar deexércitos e multidões que não estão ali. Ao mesmo tempo, odesenho de Frank Miller dava uma base muito sólida." Cada um saboreia o sucesso a sua maneira. Como Butlernão se parece nada com o Leônidas da tela (é alourado, não temmúsculos definidos, até uns "pneuzinhos" sob a camiseta larga eparece mais jovem e bem-humorado que o heróico rei), ele adorouassistir ao filme num cinema de Los Angeles. "As pessoas torciampor Leônidas, incitando-o a resistir e lutar. É muito legal vero público gostar de seu personagem sem saber quem é você. Atéporque lá estou muito mais em forma do que sou de verdade",conta o ator. Já Rodrigo se surpreende com a homossexualidadeatribuída a Xerxes. "Frank Miller o descreve como um sedutor eeu trabalhei com a ambigüidade, já que 480 anos antes de Cristoas pessoas se relacionavam assim com a sexualidade. O personagemé um arquétipo, uma entidade e não um ser humano", adverte. Noentanto, ele se enternece com a torcida dos brasileiros por seusucesso e se comove ao vê-los nas premières no exterior. "Émuito gostoso encontrar brasileiros na entrada das sessões degala, aplaudindo e me dando força."

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