Rodrigo Santoro estrela novos filmes falando espanhol

O mais internacional dos jovens atores brasileiros está no elenco de mais quatro filmes estrangeiros

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2017 | 21h59

Na quarta-feira à noite, Rodrigo Santoro chegou (tarde) a São Paulo, para participar de um evento. Na quinta de manhã, por volta de 9 horas, já aguardava o repórter na porta do hotel. A entrevista foi realizada no carro do jornal, a caminho de Congonhas, e prosseguiu no lobby do aeroporto, entre pedidos de autógrafos e de fotos. Apesar do boné e dos óculos escuros, Rodrigo foi reconhecido pelo público e as mulheres ficaram particularmente alvoroçadas - se fosse um teste de popularidade, teria sido aprovado com louvor. O mais internacional dos atores brasileiros teve de antecipar a entrevista porque tinha pressa de chegar ao Rio. Ao meio-dia, tinha outra entrevista marcada no consulado dos EUA. Rodrigo Santoro precisava tirar rapidamente um visto para trabalhar na ‘América’. Embora o próximo filme só seja rodado no ano que vem, algumas cenas terão de ser feitas antes do Natal. Galeria   Não será um filme qualquer. The Post Grad Survival Guide vai assinalar a estréia na ficção de live action de Vicky Jenson, co-diretora, com Andrew Adamson, do primeiro Shrek, que arrebentou nas bilheterias e deu origem à série de animação mais bem-sucedida de todos os tempos. "Será uma comédia romântica, mas não tradicional. É mais sobre família, numa linha meio Pequena Miss Sunshine, só que menos independente, mais mainstream", define o ator. Rodrigo mal teve tempo de ficar alguns dias no Brasil, descansando e namorando com a top Ellen Jabour. Os últimos meses foram de muita atividade para ele, mas é o tipo do cansaço que muita gente adoraria estar sentindo. Depois de 300 e do filme inédito com David Mamet - Redbelt -, Rodrigo assumiu sua latinidade. Primeiro, fez um papel importante, o de Raul Castro, irmão do Comandante Fidel, nas duas partes do épico de Steven Soderbergh sobre Che Guevara - O Argentino e Guerrilha. Na seqüência, filmou na Argentina com Pablo Trapero, em ambos os filmes falando espanhol. Como Raul Castro "Esse projeto sobre o Che já vinha se arrastando, porque o (ator) Benicio Del Toro não conseguia viabilizar a produção de um filme de Hollywood com elenco latino, falado em espanhol. Soderbergh assumiu e tocou o projeto rapidamente. Eu, de cara, fiquei chapado com a possibilidade de fazer teste, mas não quis arriscar com o meu portunhol. Tinha outros compromissos profissionais no Brasil e aproveitei para arranjar um professor de espanhol que, para minha alegria, era cubano e já me preparou para o espanhol que se fala na Ilha." Quando bateu à porta do escritório de Soderbergh, a fase de testes de elenco já estava superada. Rodrigo apelou. "Disse para ele que, se ia fazer um filme sobre o Che, que pregava a revolução internacionalista, não poderia deixar o Brasil, como maior país da América Latina, de fora." Soderbergh tinha só um papel que ainda restava meio indefinido, o de Raul Castro. Por conta própria, Rodrigo decidiu vestir a camiseta do irmão de Fidel. Com seu amigo (e instrutor em filmes como Bicho de Sete Cabeças, Carandiru e Não por Acaso), ele foi para Cuba, pesquisar. Teve sorte. Por meio de ligações conseguidas através de Orlando e Conceição Senna, ele se movimentou com alguma desenvoltura na Ilha. Foi à casa em que Fidel nasceu, hoje transformada em museu, e teve a sorte de encontrar um historiador que sabia tudo sobre o Comandante e seu irmão. Não bastava. Viajando de jipe e, depois, no lombo de um jegue, porque o acesso é muito difícil, Rodrigo foi à chamada ‘comandância’, encravada no coração da Sierra Maestra, de onde Fidel comandou a revolução de 1959. Os galpões foram transformados em museu, mas não é apenas a difícil localização que torna a aventura de conhecer a comandância algo tão complicado. "Não é aberta para todo o mundo. É precioso autorização para conhecer o local." Rodrigo Santoro encantou-se com sua experiência cubana. "Não quero fazer nenhuma avaliação ideológica nem política. Falo do que vi. Vi pobreza, pessoas fazendo extensas filas para comprar um pão, mas não miséria. Pegava aquelas bicicletas transformadas em táxis e me impressionava com a cultura daquela gente. Teve um sujeito que era filósofo e não tinha nenhuma amargura por estar falando de filosofia comigo, e não com colegas acadêmicos. O povo cubano é muito parecido com o brasileiro, e com o carioca, em especial. Eles têm uma alegria muito grande, uma capacidade de improvisação enorme. E muita gente, apesar de tudo, ama Fidel."  A filmagem foi fascinante. "Soderbergh planeja muito, mas deixa uma margem de liberdade muito grande para o ator, principalmente num filme como este, falado em outra língua e cujo tema é a revolução." É o mais incrível no díptico O Argentino/Guerrilha. Em plena era George W. Bush nos EUA, num mundo globalizado em que a economia de mercado dita as regras, Soderbergh e Benício Del Toro, o seu Che Guevara, vão vir com uma obra totalmente na contracorrente. "Acho que o filme pode despertar muita polêmica, mas foi bacana de fazer. Nunca me senti tão latino-americano como naquele set, trabalhando com atores e técnicos de toda a América Latina. Do ponto de vista pessoal, foi uma das experiências mais enriquecedoras de minha carreira." Leonora E tudo ocorreu rapidamente. Em agosto, Rodrigo soube que tinha conquistado o papel, filmou em setembro em Porto Rico, com direito a mais uma semana no México. Mal teve tempo de desvestir a pele de Raul Castro e já estava em outro projeto latino. Indicado por Walter Salles, foi fazer uma participação pequena, mas importante, no novo filme do argentino (como o Che) Luiz Carlos Merten, Leonora. Waltinho ama o diretor de El Bonaerense e Família Rodante.  A Videofilmes distribui no Brasil o ótimo Nascido e Criado, com o qual Trapero concorreu (e foi premiado) no recente Festival de Gramado. O novo filme é basicamente sobre mulheres encarceradas. Rodrigo faz o único personagem masculino, também um preso. "Foi como voltar à cadeia de Carandiru", ele conta. E, desta vez, precisou falar um espanhol com acento portenho. "Adeus, portunhol. Estou ficando fera em espanhol, e encaro os sotaques. Mas não foi no mole, não. Tudo isso me custou muito trabalho." Seu nome é aplicação. Rodrigo Santoro tenta tirar o máximo de prazer da sua profissão de ator, mas a leva muito a sério. Está sem planos imediatos para o Brasil, exceto os projetos com o diretor, de cinema e TV, Luiz Fernando Carvalho. "Vou fazer um Quadrante com ele (NR - É o projeto do diretor de mapear o Brasil por meio de autores de diferentes regiões. Começou com Ariano Suassuna, A Pedra do Reino; vai prosseguir agora com Machado de Assis, Capitu; e depois com adaptações de Milton Hatoum e Sérgio Faraco), mas nosso grande sonho é o teatro. Luiz Fernando comprou os direitos de uma peça de Marguerite Duras que vamos montar, espero que no ano que vem." Rodrigo filma por estes dias com Vicky Jenson, mas volta para o Brasil para o Natal. "É sagrado - não deixo de passar o Natal com a família."

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