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Rodrigo Santoro brinca com a própria imagem em 'Golpe Duplo'

Filme da mesma dupla que fez ‘O Vigarista do Ano’, Ficarra & Requa, mistura gêneros com inteligência

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

22 Março 2015 | 19h06

Pode ser que o espectador que assista a Golpe Duplo nem se dê conta, mas toda vez que Will Smith vai fazer sexo com a personagem de Margot Robbie, a câmera invade quartos e acompanha o astro nas preliminares. Tudo sem cortes e de portas abertas. Nunca ninguém se preocupa em fechar a porta para resguardar a intimidade. Os personagens, por acaso, são exibicionistas? Talvez não seja isso, mas outra coisa.

É interessante para o espectador que ainda não viu Golpe Duplo e para o que vai ver. Se você está no primeiro grupo, tente lembrar-se. A porta só se fecha bem mais tarde, no relato, depois que Will Smith, como o golpista do ano, dispensa a bela Margot, a quem introduziu – no sexo e no roubo – e reencontra, supostamente como amante de Rodrigo Santoro. A porta aberta é um detalhe de mise-en-scène. Representa alguma coisa sobre a dificuldade de Smith – seu personagem – em seu relacionar.

“Glenn (Ficarra) e John (Requa) são muito inteligentes”, disse Rodrigo, numa entrevista no Rio, prévia ao lançamento do filme. “Eles não apenas são cinéfilos, como fazem filmes pensados. Nada é deixado ao acaso. Já havia trabalhado com eles em O Vigarista do Ano, formando um par gay com Jim Carrey e foi pena como a própria crítica, pressionada pelas escolhas sexuais dos personagens, não tenha tido olhos para ver como o filme era mais rico que isso. Glenn e John nunca falaram disso que você comenta, mas é o fascínio do cinema. O diretor, o roteirista, nós, atores, todos tentamos direcionar o olhar do público, mas aí o seu olhar propõe alguma coisa que deixa o próprio filme mais complexo.”

Golpe Duplo teve a melhor renda no fim de semana de estreia nos cinemas brasileiros. Só para comparar, Superpai, a comédia com Danton Mello, também estreou bem, mas depois estacionou e mal bateu nos 300 mil espectadores. Golpe Duplo continuou crescendo, sinal de que o público curtiu a viagem dos diretores Ficarra e Requa. Nada nem ninguém é o que parece ser em Golpe Duplo. Quando reencontra a ex-mulher (sempre) amada, Smith planeja um golpe contra Santoro, que atua no circuito automobilístico. O fato de ele ser amante de sua ex acirra a disputa. Só que o filme propõe muitas reviravoltas. Não é por acaso que se chama, no original, Focus. Como os personagens –como Smith, como Margot –, o público é estimulado a manter o foco.

Como foi trabalhar com Will Smith? Rodrigo conta – “Ele é muito profissional. Traz uma energia positiva para o set. Já havia trabalhado com os diretores e eles também são humorados. Como consequência, o set foi só alegria.” Mas não era fácil acompanhar as improvisações de Smith. “Quando fiz O Que Esperar Quando Você Está Esperando havia o Chris Rock e todos aqueles caras do stand-up. Eles estão sempre inventando. Eu entro no espírito, mesmo falando numa língua que não é a minha. Às vezes acerto, às vezes não. O importante é não se intimidar.” Rodrigo fala do narcisismo do personagem. “É muito preocupado com a própria imagem, nesse mundo de celebridades.” Ele adorou os tons de cinza dos personagens e a mistura de gêneros do roteiro. “É thriller e comédia, tem suspense. E ninguém é unidimensional.” Na época, já se falava dele com Jesus Cristo no remake de Ben-Hur, por Timur Bekhmambetov. O ator não confirmava, mas surgiram depois suas fotos no set. “Timur é muito inteligente. E o personagem está no imaginário de todo mundo. Independe da religião.”

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