Robin Williams vive um vilão fotógrafo

Após algumas tentativas malsucedidas na categoria principal - e um prêmio de coadjuvante por Gênio Indomável -, Robin Williams avança com ímpeto para o Oscar. Dois papéis sucessivos de assassino mostram que o astro não está para brincadeiras. Williams quer o Oscar de melhor ator. Insônia, de Christopher Nolan, ainda está em cartaz e, nele, na verdade, Williams é só coadjuvante, sendo o verdadeiro protagonista da história o policial interpretado por Al Pacino. Mas Williams é o protagonista absoluto de Retratos de uma Obsessão, de novo no papel de assassino.Um assassino que, agora, não mata, mas tira fotos, transformando sua câmera numa máquina para desmoralizar as pessoas que não agem de acordo com seu código de ética. Justamente o fato de ele não matar determina a originalidade e o limite do filme de Mark Romanek, que frustra um pouco a expectativa do público. É claro que o diretor viu Repulsa ao Sexo, que Roman Polanski fez nos anos 1960, ilustrando um caso exemplar de esquizofrenia na personagem de Catherine Deneuve. Romanek faz uma construção similar em Retratos de uma Obsessão. Seu filme, deliberadamente lento, constrói-se por meio de detalhes que ilustram o comportamento obsessivo de Sy (Williams) e sua progressiva perda de contato com a realidade. Um filme desses, que não é de ação, no sentido convencional, só pode ser considerado de arte em Hollywood. Não é, mas, por conta disso, Retratos está recebendo críticas mais positivas do que merece.Serviço - Retratos de uma Obsessão (One Hour Photo) ?Suspense.Dir. Mark Romanek. EUA/2002. Dur. 95 min.14 anos

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