Robert De Niro espera que <i>O Bom Pastor</i> vire trilogia

Robert De Niro disse no sábado que a Guerra Fria cativa sua imaginação desde criança, e que espera transformar seu filme O Bom Pastor em uma trilogia sobre a rivalidade entre os Estados Unidos e a União Soviética."Sou fascinado pela Guerra Fria", afirmou De Niro em uma entrevista à imprensa depois que seu terceiro filme como diretor estreou no Festival de Cinema de Berlim. O Bom Pastor é um filme sombrio que aborda a origem da CIA e seus controversos métodos."Especialmente a Guerra Fria em Berlim", acrescentou o diretor no festival, em que seu filme compete pelo Urso de Ouro. "Quando eu era criança, estive aqui algumas vezes e fui a Berlim Oriental. Acho o período incrível. É uma coisa fascinante. Todos ficam fascinados por ele."O filme, estrelado por Matt Damon e Angelina Jolie, foi exibido para a imprensa em uma sala lotada e foi muito aplaudido. De Niro também faz uma ponta no longa, que começa pouco antes da 2.ª Guerra Mundial e termina durante a crise da Baía dos Porcos.Organização ameaçadora"Adoraria filmar uma segunda parte, de 1961, quando o Muro de Berlim foi construído, a 1989, quando o Muro caiu", disse De Niro. Ele acrescentou que passou os últimos 12 anos trabalhando na produção. "E então gostaria de fazer uma terceira parte, de 1989 até hoje."De Niro disse que a Guerra Fria poderá nunca ter fim. "Quando a Guerra Fria acabou, pensei, será que acabou mesmo?. Eu achava que algo ruim estava por vir. E veio. Armas nucleares são mais fáceis de conseguir e mais países estão conseguindo. É meio assustador de pensar."O filme, contado sob o ponto de vista de um jovem agente da CIA (Damon), mostra uma organização ameaçadora, com atividades clandestinas e poder nefasto - o que confirma estereótipos da agência em muitos países.Mas De Niro, que também dirigiu Desafio no Bronx em 1993 e A Cartada Final em 2001, relutou em dizer aos jornalistas europeus o que mais eles queriam ouvir. "Não é uma crítica", disse ele, negando que seu filme fosse um ataque à CIA. "Não quero criticar. Só estou contando a história do jeito mais simples, direto e honesto que posso".

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