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Rita Hayworth, de arquétipo da beleza latina ao mito explosivo de 'Gilda'

Livro 'O universo de Rita Hayworth' revisita vida da atriz próximo do centenário de seu nascimento

Magdalena Tsanis, O Estado de S.Paulo

17 Outubro 2018 | 11h14

Madri, EFE.

Antes de se tornar um dos maiores mitos da história do cinema com a explosiva ruiva Gilda, Rita Hayworth (1918-1987) já havia filmado mais de dois terços de seus filmes, muitos deles filmes de segunda categoria que exploraram o estereótipo da beleza exótica e latina.

Para marcar o centenário do seu nascimento, dia 17 de outubro, acaba de ser publicado O universo de Rita Hayworth (Notorious Ediciones), um volume enciclopédico e ilustrado, no qual vinte autores analisam a trajetória da atriz, filme por filme, e episódios de sua vida.

A sua foi uma autêntica corrida de fundo, condicionada e muitas vezes manipulada pelos homens que amou. A começar pelo seu pai, o dançarino espanhol Eduardo Cansino, que a colocou para dançar com apenas três anos, a explorou no trabalho e, segundo contou seu segundo marido, Orson Welles, chegou a abusar sexualmente dela.

A vida de Hayworth foi marcada por acontecimentos extremos: foi a mais desejada, mas na privacidade rejeitou o rótulo de ícone erótico e sonhava em deixar o cinema; também foi a primeira atriz de Hollywood que se tornou princesa (casando-se com Ali Khan) e a primeira celebridade a sofrer de doença de Alzheimer, com a infelicidade acrescida do fato de a doença ter levado 20 anos para ser diagnosticada.

Ainda adolescente, Rita Cansino - seu nome original era Margarita Carmen Cansado, morena com o cabelo repartido ao meio, mostrou suas habilidades como dançarina nos primeiros títulos de sua carreira, como Sob o Luar dos Pampas (1935), Charlie Chan no Egito ou Carga Humana (1936).

Seu primeiro marido, Edward Judson, com quem se casou com apenas 18 anos para escapar do pai, encarregou-se de sua primeira mudança de imagem, incluindo um doloroso processo de eletrólise para modificar a área de crescimento de seu cabelo, ampliando sua testa.

Ele moveu céus e terras para transformá-la em uma estrela e foi quem conseguiu seu primeiro contrato com a Columbia. Apesar disso, quase a deixou falida quando ela pediu o divórcio.

O primeiro filme que começou a mudar tudo para Hayworth foi O Paraíso Infernal (1939), um clássico dos filmes de aventura de Howard Hawks. A atriz só aparece 50 minutos depois de iniciado o filme 50, mas ela o faz de uma forma tão espetacular que fez o mundo inteiro fixar-se nela.

Em Protegida do Papai (1940), Charles Vidor explorou pela primeira vez seu grande magnetismo ao lado de Glenn Ford, embora com leves resultados que ficaram a anos luz de distância de Gilda.

O filme que finalmente a lançou à fama veio um ano depois, Sangue e Areia (1941). Na adaptação do romance de Blasco Ibanez, Rouben Mamoulian tira proveito da volta à sua origem hispânica para torná-la a “femme fatale” que é Sol e que bebeu no mito de Carmen.

Mas a atriz dizia que os únicos papéis com os quais ela se identificou foram os dos filmes que ela fez com Fred Astaire, nos quais ela interpreta garotas ingênuas. Ao Compasso do Amor (1941) e Bonita Como Nunca (1942) deram-lhe mais satisfação pessoal do que Gilda ou A Dama de Shangai.

Mas foi definitivamente Gilda (1946) o título que a consagrou como uma estrela de Hollywood, deixando para a posteridade cenas como o mais breve e sensual “strip-tease” e o tapa mais sonoro da história do cinema.

Seu impacto foi tal que até o exército americano batizou com seu nome e imagem a bomba atômica lançada em 1º de julho de 1946 no Atol de Bikini. Welles contou que Rita Hayworth sofreu um verdadeiro ataque de raiva, mas não pôde se opor porque fora uma decisão do ‘capo’ da Columbia, Harry Cohn.

A Dama de Shanghai (1947), uma obra-prima do cinema noir e outro de seus filmes mais memoráveis, foi filmado quando Welles e Hayworth estiveram separados por dois anos. O filme, no qual ela surpreendeu com um loiro platinado espetacular, não foi um sucesso comercial na época. Hayworth teve que lutar duro para superar sua imagem frívola de símbolo sexual e ser respeitada como atriz, e o conseguiu graças a performances como A Mulher de Satã (1953), uma adaptação da obra W. Somerset Maugham ou Vidas Separadas (1958), onde ela interpreta uma altiva ex-modelo em maus momentos. Segundo ela disse, foi o papel pelo qual estava esperando em toda a sua vida.

Confira o trabalho de Rita Hayworth em Gilda (1946):


Tradução de Claudia Bozzo.

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