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'Riscado' e 'As Hiper Mulheres' são brasileiros favoritos em Gramado

Premiação do Festival de Cinema Brasileiro e Latino acontece neste sábado, após uma semana de mostras

Luiz Carlos Merten - O Estado de S. Paulo ,

12 de agosto de 2011 | 13h24

GRAMADO - Durante toda a semana a cidade serrana do Rio Grande do Sul esteve na mídia, e não apenas pelo 39º Festival de Cinema Brasileiro e Latino. O tapete vermelho de Gramado dividiu os holofotes com as denúncias de irregularidades na captação de recursos da ACTG para outro evento, o Natal da Luz. A ACTG é a captadora oficial do festival, que tem se mantido a salvo. Para complicar, a RS 115, que dá acesso à cidade, teve de ser fechada devido a rachaduras na pista, o que pode se refletir na movimentação do fim de semana.

 

Mesmo com menos público - talvez -, o Festival de Gramado termina neste sábado, 13, com a entrega dos Kikitos aos melhores do cinema brasileiro e latino-americano. Gramado costuma lotar no segundo fim de semana (o último) do evento. Na quinta à noite, foi exibido o último concorrente nacional, O Carteiro, de Reginaldo Faria, que decepcionou a crítica. Hoje à noite,  o último concorrente latino, Jean Gentil, de Laura Guzmán e Israel Cárdenas, da República Dominicana. O brasileiro Sudoeste, de Eduardo Nunes, exibido fora de concurso, enche os olhos do público com sua rigorosa beleza - a fotografia, em cinemascope e preto e branco, é deslumbrante, mas não é só o que o filme tem para oferecer.

 

Há sempre expectativa quanto à premiação. Como vem ocorrendo com frequência, a mostra latina deu de 10, em termos de qualidade, na nacional. O problema talvez não seja do cinema brasileiro como um todo. Tem a ver com inscrições e com seleção. A proximidade de outros festivais - Brasília e Rio -, pode estar limitando as escolhas de Gramado. É só uma tentativa de entender o que ocorre. Se a produção brasileira tivesse de ser avaliada por Gramado, teriam razão os que veem a cinematografia do País em crise.

 

Se fizer a coisa certa, o júri nacional, integrado pelo cineasta Jeferson De (entre outros), terá de escolher entre Riscado, de Gustavo Pizzi, e As Hiper Mulheres, de Carlos Fausto, Leonardo Sette e Takumã Kuikuro. O primeiro é sobre as escolhas de uma atriz que busca se afirmar na carreira (e se interroga sobre suas chances). O segundo é sobre um ritual indígena de mulheres. Por meio de canto e dança, elas tentam estimular os parceiros para o sexo. O trio de diretores se interroga sobre a transmissão do conhecimento. É um belíssimo filme, mas muita gente - críticos - ainda se interroga se um filmes desses, de índio, tem vez na programação.

 

O júri latino, do qual participa a crítica mexicana Lucy Virgen, terá mais opções, mas dois filmes credenciam-se a receber a maioria dos Kikitos. O chileno La Lección de Pintura, de Pablo Perelman, e o argentino Medianeras, de Gustavo Taretto. O filme do Chile tem tudo a ver com As Hiper Mulheres, no sentido de que também trata do conhecimento. Medianeras estreia em setembro na Reserva Cultural. A história tem algo de Woody Allen. Mostra como um casal perdido, ou isolado, na cidade grande - Buenos Aires - termina por se encontrar. Embora superior, esteticamente, a mostra latina não esteve isenta de críticas. A maioria dos filmes passou em DVD, um deles um DVD de serviço, o que pode ser considerado uma negligência inadmissível num festival que se quer grande.

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