Rio vai investir R$ 12 milhões em cinema

O Estado do Rio investirá R$ 12 milhões em cinema este ano. No início da semana, o governador Anthony Garotinho e a secretária de Cultura, Helena Severo, assinaram o edital criando o Procine, que contempla todas as estapas da indústria cinematográfica, do roteiro à exibição, privilegiando as salas (novas ou recuperadas) do interior do Estado, que deverão reservar um número de dias, ainda a ser determinado, para exibição de filmes nacionais, para estudantes de primeiro e segundo graus e com ingressos a R$ 1,00.Os editais para novos projetos devem ser publicados este mês e o sub-secretário adjunto de Aúdio Visual, José Carlos Avellar, acredita que, até o fim do ano, já haverá produções se beneficiando do Procine. A seleção será feita por um conselho com representantes das Secretarias de Cultura, Planejamento, Fazenda, Desenvolvimento Econômico e dois representantes da indústria cinematográfica. Um dos pontos inovadores é o incentivo à formação de novas platéias."Ir ao cinema é um hábito que se forma na infância e adolescência. Mas queremos levar os jovens ao cinema e não o cinema à escola. É mais caro e difícil, mas os resultados são mais duradouros", disse Helena Severo. "É importante também incentivar a abertura de salas no interior porque quase 90% das que existem no Estado do Rio ficam na capital, especialmente nos bairros da zona sul. Nossa intenção é mudar esse quadro."A exibição é a ponta final do Procine, que já tem programas irmãos para dança e teatro e, em breve, literatura. Dos R$ 12 milhões a serem investidos em cinema, R$ 1 milhão virá do orçamento da Secretaria de Cultura para financiar a elaboração de roteiros de longas-metragens, que receberão R$ 30 mil cada um, a fundo perdido. O restante virá do Fundo de Desenvolvimento do Estado, na forma de empréstimo subsidiado, com juros de 6% ao ano e pagamento negociado. Os filmes de ficção receberão até R$ 500 mil cada um, num total de R$ 5 milhões, e documentários, R$ 250 mil, totalizando R$ 2,5 milhões. Para distribuição será destinado R$ 1,5 milhão e, para novas salas, R$ 2 milhões.A assinatura do edital foi uma festa de elogios da indústria cinematográfica à iniciativa do governo do Estado. "O Rio deve mais ao cinema que o cinema ao Rio, pois se tornou uma cidade mítica graças aos filmes que fizeram sua paisagem de cenário", ressaltou o produtor Luiz Carlos Barreto. "Só no governo de Carlos Lacerda (1961/1965) houve um programa de ajuda não de fomento, como agora." Os números apresentados pelo sub-secretário adjunto de Áudio Visual, José Carlos Avellar, confirmaram Barreto. "De 1994 até hoje, foram produzidos cerca de 150 filmes, mais de dois terços no Rio", calculou Avellar. "Se conseguirmos aumentar a média de 30 produções por ano para 40, será um belo resultado."A produtora Marisa Leão lembrou que esse programa vai além dos que existem em outros Estados e mesmo em nível federal. "O que temos hoje é incentivo à produção. Pela primeira vez, há um investimento na indústria cinematográfica, uma reivindicação que fazemos há muito tempo", comentou Marisa. "A gente costuma achar que as coisas acontecem por acaso, mas uma iniciativa como essa tem nome: Helena Severo, que já trabalhou muito pelo cinema brasileiro quando era secretária de Cultura do município e criou a Riofilme."Nas duas últimas administrações municipais (César Maia, de 1993 a 1996, e Luiz Paulo Conde, de 1997 até o ano passado), a Riofilme, distribuidora criada por Helena Seveno e dirigida por Avellar, lançou mais de cem filmes brasileiros. Além de abrir espaço para as produções nacionais, que não encontravam salas de exibição, abriu caminho para as distribuidoras estrangeiras, que até então não trabalhavam com títulos locais. A situação mudou e filmes como Eu Tu Eles já tiveram participação do distribuidor (a Columbia) já na fase de produção.O governador Anthony Garotinho garantiu, na festa de assinatura do edital, que o programa terá continuidade nos próximos anos. "Na primeira reunião que tive com a Helena (Severo), falei da minha preocupação com o setor cultural no Estado. Lembrei que as verbas existem, mas os entraves burocráticos me faziam temer que o dinheiro não seria gasto", lembrou o governador. "Ela disse que se o problema era gastar, ela tinha muitas soluções e me deixou tranqüilo."

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