Rio recebe 4º Congresso Brasileiro de Cinema

Entre o 2.º e o 3.º Congresso Brasileiro de Cinema passaram-se 40 anos. Quando a Fundação do Cinema Gaúcho promoveu, em julho do ano passado, o encontro da classe cinematográfica brasileira para discutir as grandes questões da atividade no País, quatro décadas haviam se passado desde o encontro anterior. Pouco mais de um ano depois, o 4.º Congresso Brasileiro de Cinema começa nesta quarta-feira no Rio de Janeiro. Houve avanços consideráveis nestes 16 meses. O próprio presidente do 3.º Congresso, o cineasta Gustavo Dahl, abre amanhã o evento, mas até domingo, no encerramento, terá um sucessor à frente dos debates desse foro tão legítimo para discutir o cinema como atividade artística, econômica e - por que não dizê-lo? - estratégica. Pois Dahl é o indicado pela presidência da República para assumir a recém-criada Agência Nacional de Cinema (Ancine). O congresso do Rio se realiza sob o impacto da criação desse organismo tão importante para o futuro do cinema nacional.Patrocionado pela BR Distribuidora, que entrou com 50% do custo total do evento, e pela Prefeitura do Rio, pelo Governo do Estado do Rio e pelo Ministério da Cultura, o 4.º Congresso reúne representantes de 40 entidades. Elas indicaram 2/3 dos 150 delegados com direito a voto. O terço restante, em número de 50, é formado por convidados da organização do congresso. Inclui desde personalidades notáveis por sua contribuição à arte e às tentativas de industrialização do cinema no Brasil até o representante da MPA, a polêmica Motion Pictures Association, no País, Steve Solot. A MPA tem criticado duramente a agência e certas medidas de fortalecimento do cinema brasileiro que ainda não foram colocadas em prática. Solot em pessoa foi convidado a levar as objeções da MPA ao Congresso Brasileiro de Cinema.Mudanças - Dahl considera o momento atual um dos mais ricos da história do cinema brasileiro. "Houve uma mudança no modelo de relações políticas e instituicionais entre a sociedade e o governo", analisa. A sociedade é representada pelas entidades que têm delegados no congresso, que funciona como instituição permanente para defender e organizar a atividadecinematográfica brasileira. Dahl usa o que não deixa de ser uma linguagem poética: "O congresso propõe desejos da classe que o governo tenta executar por meio da agência."O congresso vai se realizar no Othon Palace, em Copacabana, zona sul do Rio. Amanhã à tarde, os delegados farão seu credenciamento e, à noite, haverá a abertura oficial do 4.º Congresso, com o discurso do presidente Gustavo Dahl. Os grupos de trabalhos serão instalados na quinta-feira à tarde, após a primeira plenária, pela manhã. Estão previstos seis grupos de trabalho: um deles vai revisar o relatório final do 3.º Congresso, outro vai examinar a medida provisória 2228-1, que cria a Agência Nacional de Cinema, o terceiro vai discutir cinema e cultura, incluindo tópícos como preservação e ensino, o quarto a exibição, o quinto a relação do cinema com as demais mídias (TVs aberta e por assinatura, Internet), o sexto a inserção da produção audiovisual brasileira no mercado globalizado.Dahl informa que o Congresso Brasileiro de Cinema, por ser uma entidade política, deve funcionar na base do consenso, traduzindo aspirações. Mas esse consenso terá de ser arduamente conquistado, pois há várias questões polêmicas: cota de tela, revisão da Lei do Cabo, democratização dos meios de comunicação, conteúdos nacionais (na forma de uma mesa ou seminário sobredramaturgia e produção independente para TV).Você pode informar-se melhor consultando o site www.congressocinema.com.br. Lá se encontra a frase de Dahl que expressa o espírito com que a classe cinematográfica do Brasil vai para esse encontro: "A verdade é que o impulso e a imposição interna de criar condições para a existência de um cinema brasileiro, típica da minha geração e também da que a precedeu, Nelson Pereira dos Santos, Roberto Santos e Luiz Carlos Barreto, é mais forte que a necessidade de expressão individual."

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