Rio investe na produção e distribuição de filmes

O Rio, que já abrigava a distribuidora Riofilme, ganhará no ano que vem o Fundo Estadual de Apoio ao Cinema, um órgão estadual voltado para atuar na produção, distribuição e exibição de filmes brasileiros em todo o Estado do Rio. Segundo a idealizadora do projeto, Helena Severo, a proposta do governador Anthony Garotinho é complementar o trabalho da Riofilme. Ela assumiu há três semanas a coordenadoria de Ações Culturais do Estado.A idéia surgiu durante uma conversa informal, há alguns meses, com o governador, que a autorizou a conversar com notáveis da área cinematográfica. "Reunimos nomes como Carla Camurati, Domingos Oliveira, Fábio Barreto, Adhemar Oliveira, Sandra Werneck e outros." Em pouco tempo, as diretrizes do projeto, determinando quais as áreas mais carentes da indústria, estavam prontas. "Apresentamos o projeto e a quantia necessária para a sua realização. O governador Garotinho analisou e deu o sinal verde."Helena afirma que o Fundo vai além de uma simples distribuidora. "Queremos ser um órgão atuante e inovador", garante ela, que terá R$ 12 milhões para investir no ano que vem. "Metade disso será destinado à produção de oito filmes, mas vamos destinar R$ 2 milhões para a criação de pelo menos cinco salas na Baixada Fluminense e outros R$ 2 milhões para co-produções de filmes feitos para a televisão." Outros 2 milhões serão destinados à distribuição e comercialização de oito filmes, que receberão R$ 250 mil cada um. O diretor Mauro Farias, que está finalizando o filme Duas Vezes com Helena, acha a iniciativa bem-vinda. "O cinema brasileiro esbarra na distribuição desde os tempos da Embrafilme e a iniciativa é bem-vinda." Mas ele acha que a verba ainda é tímida. "Pela importância e tradição que o Rio tem como pólo cinematográfico, essa verba poderia ser maior, mas já é um começo." Para o produtor Luís Carlos Barreto, responsável por filmes como Dona Flor e Seus Dois Maridos e O Quatrilho, concorda que a verba é pequena e aconselha, do alto de mais de três decadas de cinema brasileiro: "É preciso começar aos poucos, concentrar a força em duas ou três áreas e, com o crescimento, ir expandindo o leque." Mas ele acha que o Fundo pode produzir recursos. "A Helena é muito dinâmica e é bem capaz de multiplicar os recursos." Para a diretora Sandra Werneck, que no dia 2 de fevereiro vai lançar Amores Possíveis e que participou da elaboração do Fundo, a principal vantagem do Fundo é o apoio em todas as etapas do filme. "É muito bom poder começar um filme sabendo que, depois de pronto, teremos um apoio eficiente." Para ela, o Fundo tornará viável a meta de se chegar à marca de 40 filmes brasileiros por ano, contra os atuais 25. "Com isso, poderemos ter uma indústria de cinema, que criará uma rotina e um mercado habitual para nossos filmes." Farias acha que uma política agressiva de distribuição é fundamental para o sucesso de qualquer filme. "Basta ver que um filme medíocre como As Panteras está em quase 30 salas no Rio e tem cartazes por toda a parte. Assim é fácil fazer sucesso. Já a maioria dos filmes brasileiros entra em três ou quatro salas e sem muita propaganda. Como é que o público vai interessar-se?" Helena acha que com outra distribuidora será possível organizar melhor o esforço de divulgação dos filmes. Ela também se anima com as novidades do Fundo, como as novas salas em regiões carentes e a co-produção com a TV. "As salas na Baixada Fluminense terão preços subsidiados, o que permitirá à classe menos favorecida o acesso à cultura." Com o tempo, mais salas poderão ser criadas. Já a parceria com a TV surgiu em função dos bons resultados obtidos pelo filme O Auto da Compadecida, que já ultrapassou a marca de Xuxa Requebra (2 milhões e 70 mil espectadores), tornando-se o recordista de bilheteria desde a retomada do cinema, em 1994.

Agencia Estado,

19 de dezembro de 2000 | 19h48

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