Rio de Janeiro do cartunista Jano será mostrado em vídeo

Se você é maluco por quadrinhos já sabe que o Brasil poderá ser o grande homenageado no Salão Internacional de Angoulême, na França, em 2002. É o mais importante evento de quadrinhos do mundo. As negociações para isso já estão bastante adiantadas. Confirmada a homenagem, a participação brasileira no evento vai ser grande. Dois dos mais importantes momentos nacionais em Angoulême serão, com certeza, os lançamentos do álbum Carnet de Rio e o do vídeo Rio de Jano.O diretor é o repórter e crítico de cinema, quadrinhos e vídeo do jornal O Globo, Eduardo Souza Lima. Sim, ele vai fazer um belo trabalho e para assegurar-se contratou para a direção de fotografia ninguém menos do que o poeta da luz no cinema brasileiro, Mário Carneiro. Nenhum filme ou vídeo fotografado por Carneiro consegue ser menos do que bom, no quesito fotografia, pelo menos.As imagens já foram captadas, ao longo de 20 dias de outubro e novembro, aproveitando a estada de Jano no País. A edição já começou e a finalização tem como data limite abril.Emissoras de TV do Brasil e do exterior, especialmente da França estão sendo contactadas para participar da produção e/ou veicular Rio de Jano. Mais de uma já manifestou seu interesse. Souza Lima faz questão de dizer que a marca dos co-produtores e patrocinadores estará em destaque nos créditos de abertura e encerramento do vídeo, bem como em todo o material impresso utilizado em sua divulgação.Quadrinhista, cartunista e ilustrador, Jean le Guay, ou simplesmente Jano, que nasceu em Paris, em 1955, é considerado, aos 45 anos, um dos maiores desenhistas do mundo. Sua paixão consiste em ilustrar, por meio de detalhes, a vida das cidades. Colaborador da revista Métal-Hurlant e da B.D. Rock, ele deve muito de sua fama ao ratinho Kebra, que criou com Tramber. Venceu inúmeros prêmios, entre eles o do Festival de Angoulême, com o álbum Gazoline. O artista gráfico é também um andarilho que criou uma série - os Carnets de Voyage, com os quais gosta de mostrar o lado mais inusitado dos lugares que percorreu. Dessas andanças surgiram o Carnet d´Afrique, Bon-jour l´Inde e Paname, sobre Paris. A série deve prosseguir agora com Carnet de Rio. Jano veio ao País e aqui ficou durante 50 dias especialmente para coletar as informações para as 37 pranchas que vão compor seu retrato do Rio. Carnet de Rio será editado simultaneamente pela Casa 21, no Brasil, e pela editora Albin Michel, na França. Deve sair no início do segundo semestre de 2001. Na verdade, trata-se de um projeto mais amplo, que pretende ilustrar as principais cidades brasileiras. O português Luís Louro vai retratar São Paulo, o espanhol Miguelanxo Prado, Belo Horizonte, e o brasileiro Marcelo Gaú, Salvador. O projeto tem apoio do Consulado Geral da França, do Crédit Lyonnais, da AFFA, a Association Française d´Action Artistique) e do editora Albin Michel.Não foi a primeira visita do artista ao Brasil. Ele já esteve aqui duas vezes antes - em 1993 e 1997. Na primeira, Souza Lima foi entrevistá-lo para o jornal. Ficaram amigos. O jornalista mostrou a Jano um Rio de Janeiro que não era exatamente o dos cartões-postais. Nada mais de acordo com o projeto do andarilho que quer surpreender as pessoas, mostrando-lhes imagens no mínimo diferentes de lugares já conhecidos. Jano aderiu imediatamente ao projeto do documentário que lhe foi apresentado por Souza Lima. As cenas foram gravadas em locações como a Pedra de Guaratiba, com sua comunidade rústica de pescadores, Paquetá, a Quinta da Boa Vista e também o Rio suburbano, Realengo e Madureira.Alguns desses cenários terminaram incorporados ao Carnet de Rio, mas nem todos. "Ele ficou muito impressionado com o que viu num baile funk, mas não está convencido de que deve aproveitar aquele material", diz Souza Lima. O projeto do documentário é dele, de Anna Azevedo e Renata Baldi. Anna é roteirista, Renata é montadora e Souza Lima, o diretor. Seu currículo inclui os vídeos Caçada Implacável e Capitão Electron contra a Ameaça Venusiana. O primeiro recebeu o prêmio do júri popular na 1.ª Semana de Vídeo Independente do Rio e foi selecionado para o 2.º FestRio. O segundo foi selecionado para o 2.º Rio Cine.O trio colocou dinheiro do próprio bolso na produção e agora busca recursos para a finalização. O vídeo está inscrito na Lei do ICMS da Secretaria Estadual de Cultura do Rio, mas a idéia é inscrevê-lo também nas Leis Rouanet e do Audiovisual. O orçamento de R$ 80 mil prevê que o vídeo tenha 26 minutos, mas Souza Lima acha que será preciso reformular esse total, porque a duração está crescendo e ele estima que Rio de Jano não ficará com menos de 40 minutos, talvez 50. Sua admiração pelo artista não faz senão crescer."Conheci o trabalho dele nos anos 80, numa época de muito rock-n´-roll; a identificação foi imediata." Desde então, pouca coisa de Jano foi publicada no Brasil, mas Souza Lima nunca deixou de acompanhar sua produção, sempre que possível fazendo matérias sobre ele (ou com ele). Ele destaca a nova série iniciada por Jano - Les Fabuleuses Dérives de la Santa Sardinha. Nela, o artista narra as peripécias da atrapalhada tripulação de uma nau portuguesa, durante as grandes descobertas do século 16. O primeiro volume, editado pela L´Écho des Cavanes e pela Albin Michel, já saiu na França.

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