Rio aposta no cinema e amplia circuito

A reabertura da sala de cinema no Centro Cultural Laura Alvim, em Ipanema, nesta sexta-feira, confirma: o Rio está apostando alto na ampliação do circuito de cinema, principalmente o alternativo. Além dessa, outras três salas serão abertas na Barra e mais uma no Leblon. O grupo Estação terá também outros dois cinemas num ponto tradicional de Ipanema e confirma a reabertura do antigo Cine Odeon, no Centro, todo reformado. Em pré-estréia especial, a exibição de Quase Nada, de Sérgio Rezende, prêmio de melhor filme nacional em Gramado, inaugura no dia 25 o Estação Ipanema.Os exibidores nacionais querem ampliar o mercado para enfrentar a concorrência dos cinemas multiplex que se espalham pelos shoppings da cidade. E para isso investem na formação de um novo público.O diretor do grupo Espaço Unibanco de São Paulo, Adhemar Oliveira, resolveu apostar na Barra da Tijuca. Em 21 de setembro vai inaugurar três salas no shopping Rio Design Center Barra, ainda em construção. Adhemar, que acabou de lançar a sua distribuidora Mais Filmes durante o festival de Gramado, vê uma demanda na Barra e em toda a Zona Oeste da cidade. "O bairro é carente desse tipo de cinema. A nossa intenção é formar platéia de filmes de qualidade num local tranqüilo", ele explica.Ao todo, são 352 lugares em três salas com projetores italianos e som de última geração, onde filmes mais comerciais poderão ser exibidos ao lado de títulos independentes. "A programação vai depender da resposta dos espectadores", diz. Ele não pretende se restringir a uma única linha de cinema. Adhemar acredita que a ligação com os moradores da região, principalmente crianças e adolescentes, é essencial para atrair este público ao cinema. Assim como já existe em São Paulo, desde 1981, o Projeto Escola também funcionará nesses novos espaços. Através de filmes e contadores de história, alguns temas serão debatidos e apresentados aos alunos e professores de escolas públicas e particulares da região. Seguindo essa linha, Adhemar vai inaugurar mais uma sala no Leblon, um espaço numa galeria cercada de teatros, o que deve promover uma atividade artística conjugada.Zona Norte e Zona Sul - Ocupando um ponto privilegiado em frente à praia de Ipanema, a Casa de Cultura Laura Alvim, do Governo do Estado, passa a contar com três salas de cinema. A direção da casa promoveu, com recursos próprios, uma ampla reforma na sala 1, agora com equipamentos modernos e capacidade para 72 espectadores. "Por recursos próprios entenda-se uma economia de galego, juntando porcentagem da venda de cafezinho e pipoca", diz o diretor Flávio Marinho. "Foi uma luta, mas está valendo a pena."Também em Ipanema o Grupo Estação inaugura no dia 25 mais duas salas, com uma pré-estréia especial de Quase Nada, de Sérgio Rezende, uma semana antes da estréia oficial do filme. A sessão vai abrir o Estação Ipanema. São duas salas de 141 e 163 lugares, na galeria Astor, tradicional região do Bar Vinte. A alta qualidade técnica será mantida e a novidade fica por conta das poltronas duplas na última fileira, estilo cinemark, para os namorados. Além das salas de projeção, o local conta também com um café e uma loja de souvenirs. Em janeiro serão abertos um restaurante e uma loja de CD e DVD. O investimento já chega a R$ 800 mil. A programação seguirá o estilo do Grupo Estação, há 15 anos no Rio. A idéia é atrair moradores da Zona Sul e aqueles que ainda não têm contato com produções do circuito alternativo. "A expectativa é sempre abrir um público novo, principalmente essa nova geração que está divorciada do bom cinema", enfatiza Nelson Krumholz, um dos sócios do grupo. "Não existem platéias especiais, temos que procurar a diversidade."Como parte da programação, haverá sessões especiais para crianças e idosos em horários alternativos, com direito a "café e bolinho", segundo Nelson, além de reapresentações de filmes que já passaram pelo circuito em horário vespertino, sempre valorizando as produções nacionais.Nelson anuncia também que o Cine Odeon, depois de ser reformado em estilo arquitetônico da década de 20, vai voltar a funcionar em 5 de outubro, para o início do Festival de Cinema do Rio. Além disso, o grupo já tem projetos de expansão para a Tijuca, Zona Norte, região mais carente de equipamentos culturais. "Isso deve ser analisado com calma porque o investimento é o mesmo para um retorno imediato bem menor", acredita."Acho que a relação que as pessoas passam a ter com o cinema é muito mais íntima, muito mais cotidiana", diz o Diretor de Quase Nada Sérgio Rezende, em defesa dos cinemas de bairro. "A idéia é ir ao cinema como se vai à praia." Ele acredita que a rápida propagação dos multiplex, os cinemas com várias salas, tem que ser contida. "A entrada dos americanos com toda força no mercado mudou a ótica dos exibidores nacionais. E isso está acontecendo no Brasil inteiro, não só no Rio", acrescenta.

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