'Rio 2' tem pouco Rio e muita Amazônia, além de futebol

Animação tem o maior lançamento do País, ocupando 1.271 salas

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2014 | 02h10

Será o maior lançamento já realizado no Brasil. A partir de hoje, Rio 2, de Carlos Saldanha, estará tomando de assalto exatas 1.271salas em todo o País. O número superlativo é decorrência do megassucesso de Rio. O primeiro filme da série com Blu foi visto por mais de 70 milhões de espectadores em todo o mundo e faturou centenas de milhões de dólares. Apesar do título - Rio 2 -, a paisagem carioca resume-se à festa do réveillon, na abertura. Logo em seguida, Blu, Jade e seus três filhos - as ararinhas - partem rumo à Amazônia, numa viagem de descoberta do Brasil.

Você se lembra do primeiro filme. Blu, a última arara azul, era trazida dos EUA para se acasalar com Jade, salvando a espécie. No processo, a arara macho que não sabia, ou não conseguia voar, descobria a utilidade de suas asas. Na sequência, Túlio, o ornitólogo, em viagem pela Amazônia, descobre que há uma reserva inteira de araras. E não só das azuis. Há uma disputa territorial entre as araras azuis e as vermelhas. Em ano de Copa do Mundo, não causa estranheza que o futebol seja incorporado ao relato e a diferença seja resolvidas numa partida - mesmo que seja um jogo nos ares, entre competidores alados.

Se tem Amazônia, o filme, até para ser politicamente correto, tem de ter denúncia dos riscos de desmatamento da 'rain forest'. Há um vilão que está abatendo árvores na base da serra elétrica. O ataque à floresta e seus signos - uma árvore da vida, repleta de pássaros - faz lembrar Avatar, de James Cameron, mas Saldanha jura que é mera coincidência, ou que a comparação está nos olhos de quem vê. Avatar nunca foi uma referência para ele.

Rio 2 começa e termina muito bem, com muita cor e movimentação. Ao atravessar o Brasil, o relato abre espaço para que a trilha - com a participação de Sérgio Mendes e Carlinhos Brown - expresse a diversidade cultural/musical do País. A criançada poderá adorar, até porque existem situações divertidas, como o velho pássaro/ator shakespeariano que forma duplas com a rã (falsamente) venenosa. Um dos melhores personagens - o buldogue Luís - ganhou participação episódica. Saldanha promete que ele vai voltar maior - no 3, dependendo das rendas. Com a palavra os pequeninos. O filme é deles, para eles. Os adultos - pais e acompanhantes - vão achar Rio 2 infantil demais. Foi uma opção de Saldanha, não uma imposição do estúdio.

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