Ribeirão terá maior índice de cinemas per capita

Com uma sala de exibição para cada 15 mil habitantes, Ribeirão Preto deve contar a partir de dezembro com a maior concentração per capita de cinemas do Brasil e o maior número absoluto de salas instaladas em um único município, fora de capitais. Serão ao todo 30 salas. Se essa proporção se repetisse na capital paulista seriam necessárias cerca de 600 salas de exibição. Hoje, São Paulo tem menos de 200 salas.Além das 11 salas instaladas pelo sistema multiplex, da norte-americana UCI, no Ribeirão Shopping (que ainda possui outras três salas antigas), e outras nove do Cinemark no NovoShopping, em dezembro serão inauguradas mais oito salas multiplex do grupo mineiro Cinemais, no Shopping Santa Úrsula. O diferencial que os empresários apostam para conquistar o público em meio a tanta concorrência, no entanto, passa bem longe da programação diferenciada. A cada sala instalada, aumenta o nível de sofisticação, tanto na aparelhagem, quanto no conforto oferecido ao consumidor. No mais novo investimento, lançado hoje em Ribeirão pelo grupo mineiro que já possui dez salas em Uberlândia, seis em Uberaba e outras 34 em projeto, a principal atração será a sala VIP. Em sistema ainda inédito no País, a sala VIP terá apenas 62 lugares com ingressos vendidos antecipadamente por encomenda e entregues em domicílio. Além de assentos mais confortáveis, o público também vai contar com bar e serviço de garçons durante toda a exibição do filme, mas o preço do ingresso na sala VIP é o dobro do convencional. "Queremos atrair um público de classe mais alta que hoje já nem vai mais ao cinema por não encontrar o mesmo conforto que tem em sua própria casa", disse o administrador do Cinemais, Pedro Naves. Os administradores dos demais cinemas na cidade acreditam que a concorrência é "salutar". Somente no Shopping Santa Úrsula, onde serão inauguradas as novas oito salas, a expectativa do empreendedor, Jaimes Almeida Júnior, é de que o público médio atual de 20 mil pessoas por dia, dobre após a inauguração das salas prevista para a primeira semana de dezembro. Quanto à programação, segundo o administrador do Cinemais, deve seguir a mesma linha das demais salas, com destaque para os lançamentos do cinema americano. "As cópias de filmes europeus nunca saem do circuito das capitais e não é viável por enquanto para o interior por não ter público", disse o administrador que investiu R$ 7 milhões nas oito salas. Para o público que busca programação diferenciada acabou restando o Belas Artes, o único cinema que se diz alternativo e sobreviveu à investida de igrejas evangélicas e bingos que tomaram outros sete cinemas, fechados nas duas últimas décadas. Apesar da tentativa de se diferenciar das salas Multiplex com programação diferenciada, o Belas Artes quase não tem público e exibe esta semana a produção americana Paixões Paralelas, com Demi Moore no elenco.

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