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Reynaldo Gianecchini fala de doença e dos novos filmes em cartaz na Mostra

Ator também falou sobre nudez

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

24 Outubro 2015 | 16h00

Quando Hector Babenco o convidou para um papel importante de seu novo filme, Reynaldo Gianecchini chegou a pensar: “Será que foi por causa da minha doença?” Porque Meu Amigo Hindu, que inaugurou a Mostra para convidados na quarta e terá neste domingo, 25, sua única sessão de público, inspira-se na luta do cineasta contra o câncer agressivo que quase o levou à morte. Gianecchini passou por experiência semelhante. Estar tão perto da morte levou-o a repensar a vida, a priorizar o que é importante. Surgiu um outro homem. “Acho que não melhorei só como indivíduo, mas como artista. Isso ajuda a gente a tentar se entender, a entender o outro.”

Durante a sessão de Meu Amigo Hindu, ele passou por momentos de desconcerto – e desconforto. “Não conseguia saber se estava gostando.” E, depois, juntando uma cena aparentemente desconexa do começo – o enterro do pai do diretor interpretado por Willem Dafoe – com cenas do protagonista com a mulher e a mãe, tudo passou a fazer sentido. “É incrível como a possibilidade do fim devolve a gente ao começo. Liguei-me muito mais a meu pai, a minha mãe.” Elogia Babenco. “Faço uma participação. Na verdade, quase todo o elenco entra pontualmente, só Dafoe une todo mundo. É um ator maravilhoso, um gênio.” Qual é o segredo do diretor para fazer com que todos os atores sejam sempre bons com ele? O próprio Babenco diz que não ‘dirige’ os atores. Deixa que eles tragam os personagens e faz ‘ajustes’.

Gianecchini diz que é um processo difícil, mas gratificante. “Como maestro, ele é doce, mas também tem pulso.” Babenco lhe deu o papel do médico amigo – Drauzio Varela na vida. “Não me encontrei com o Drauzio nem tentei imitá-lo, mas Babenco me pedia que passasse a amizade dos dois pelo olhar.”

Gianecchini lembra da doença. Conta que, apesar da dor, do sofrimento, não quis fazer dela um drama. “Senti, e o filme também é sobre isso, que estava diante de uma possibilidade de transformação.” Ninguém passa por isso e segue o mesmo. Só se não entende, ou não quer entender nada. “Descobri, no dia a dia, uma mudança na base: estava desenvolvendo um novo olhar para as coisas e para mim mesmo.”

Um novo olhar, um novo homem. E isso se refletiu no trabalho, claro. Além de Meu Amigo Hindu, Gianecchini está nas telas com S.O.S. Mulheres ao Mar 2, a comédia de Cris D’Amato que estreou na quinta. Ia emendar a minissérie de Walcyr Carrasco, Verdades Secretas, com uma nova novela – de Maria Adelaide Amaral –, mas a Globo reformulou o cronograma das 9, antecipou outra novela e a dele ficou para daqui a um ano. Para o segundo semestre de 2016, ele tinha um projeto de teatro com o diretor José Possi Neto – uma peça sobre o pintor Caravaggio –, que agora tenta antecipar. “Já tínhamos o patrocínio engatilhado para daqui a um ano. Estamos conversando para antecipar.”

Não sabia da existência do filme de Derek Jarman sobre o artista. Como Sebastiane e outros filmes do mais punk dos diretores, Caravaggio é uma celebração da arte e do sexo, independente de gêneros e limites. O repórter conta que reviu a versão restaurada do filme em Berlim, em fevereiro, numa homenagem ao autor. Gianecchini interessa-se. “Vou correr atrás”, promete. Sobre a peça – o texto foi encomendado por Zé Possi –, acha que vai dar tudo certo, mas se criou, neste momento, um vazio. “Estou em São Paulo por causa dos filmes. Trabalhei bastante no lançamento do S.O.S., estive na Mostra, faço minhas publicidades. Vou aproveitar paras fazer o que não estava planejando – tirar férias.”

Impossível não falar sobre a nudez de Gianecchini em Verdades Secretas. Estourou de audiência, repercutiu nas redes sociais. Ficar nu não deve ser problema para um ator criado na escola hedonista de José Celso Martinez, não? “Mas eu nunca fiquei nu no teatro dele. Zé Celso até dizia que isso faria de mim um artista melhor, mais solto, mas as coisas foram acontecendo de outro jeito. Não ia tirar a roupa só por tirar. Seria apelação. ‘Vamos ver tal peça para ver o p...do Giane.’ Nem no caso de Verdades Secretas as coisas estavam programadas. Foi um coisa que surgiu meio espontânea. O personagem era amoral, capaz de tudo. Era um gigolô, metido com sexo e drogas. Mostrá-lo na intimidade do trabalho tinha tudo a ver. Poderia ser complicado. Erotismo gay sempre, é na TV. Mas a cena foi feita com tanto apuro visual que não houve rejeição. O público embarcou. O segredo é sempre o jeito de contar, de mostrar. Do porteiro do meu prédio aos amigos chatinhos, todo mundo gostou.” Por conta disso, ele revela que torce por uma nova temporada de Verdades Secretas. “A equipe era genial, seria bacana, mas não creio que vá ocorrer, pelo menos não tão cedo.”

 

Sobre 'Mulheres ao Mar', ele diz: 'Gostei mais do 2'

Embora os críticos torçam o nariz para S.O.S. Mulheres ao Mar, o primeiro filme da série dirigida por Cris D'Amato fez 1,8 milhão de espectadores e o segundo estreou na quinta-feira, 22, em 452 salas. Não é um mega-lançamento, mas é grande. Reynaldo Gianecchini está otimista. "O importante é não ter preconceito", reflete. "Gosto de filme bem feito, não importa o gênero. Faz direito e eu estou dentro. Os americanos são craques nessa coisa de comédia romântica, mas estamos aprendendo."

Ele revela que gostou mais do 2. "Ficou mais redondo. Não tem a novidade do primeiro, mas a mistura de comédia com romance funciona muito bem e eu acho mais engraçado." A diretora concorda. "Como já tinha os personagens delineados, investi mais no romance. Acho que deu certo. O primeiro dia repetiu o público do primeiro - cerca de 42 mil espectadores." Na trama, a personagem de Giovanna Antonelli, Adriana, vai atrás do namorado estilista (Giane), cujo novo desfile será a bordo de um transatlântico, na rota Orlando/Cancún. A top do desfile é a ex de André, que fará de tudo para tirar o namorado de Giovanna. Com a estrela da novela A Regra do Jogo, embarcam, de novo, na aventura, Fabíula Nascimento e Thalita Carauta.

O ciúme de Adriana é fundamental na história. Mas Gianecchini confessa que não tem muita paciência com gente ciumenta. "Só me relacionei com mulheres maduras, acho um porre essa história de ciuminho ." Ele conta que fez sua primeira novela com Giovanna, Álbum de Família, e desde então formaram par romântico seis vezes. "Ela é uma dessas mulheres que parecem ligadas na tomada, tem uma energia a mil, mas dosa a doideira com uma leveza que faz com que seja sempre agradável trabalhar com ela, estar perto dela. Se a vida me fez valorizar as amizades, a de Giovanna é das que mais prezo."

 

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