Revista Variety dá destaque ao cinema latino-americano

A edição dessa semana da revista Variety, especializada em espetáculos e distribuída durante o 59.º Festival de Cannes, dá destaque à maior autonomia alcançada pelas produções sul-americanas, que já não dependem tanto dos investimentos europeus devido à criação de órgãos que, com recursos estatais, financiam diretores nacionais. O suplemento de cinco páginas dedicado ao cinema latino-americano foi escrito pelos colaboradores da revista no Brasil, Argentina e México.Fala da importância de festivais como o de Guadalajara, no México, de Mar del Plata e Buenos Aires, na Argentina, para o intercâmbio de projetos entre países latino-americanos e potenciais co-produtores europeus, além de dar um panorama geral da situação da indústria cinematográfica nos maiores países produtores. Charles Newbery, de Buenos Aires, fala da ambição de cineastas argentinos como Daniel Burman, Pablo Trapero e Israel Adrián Caetano, que procuram sair do estereótipo do cinema de autor para tentarem competir comercialmente com os produtos de Hollywood. Procuram aumentar a incidência da indústria nacional no mercado local, que hoje é de entre 12% e 18%, contra 80% do cinema norte-americano, além de saírem para conquistar novos mercados. Segundo Newbery, esses cineastas não dispõem de grandes orçamentos, mas, sim, de grandes idéias que fazem os filmes argentinos viajarem mais freqüentemente e em maior quantidade a outros países. Lucrecia Martel, que está entre esses cineastas descritos por Newbery, é hoje convidada para integrar o júri internacional do Festival de Cannes em pé de igualdade com outros diretores renomados, como o chinês Wong Kar Wai, o palestino Elia Suleiman e o francês Patrice Leconte. Michael O´Boyle, na Cidade do México, fala de uma suposta rixa entre o diretor Alejandro González Iñárritu e o escritor Guillermo Arriaga, cuja terceira e última colaboração, Babel será exibida em concurso amanhã. Faz referência também à nova onda do cinema mexicano personificado na figura de Amat Escalante, de 27 anos, autor de "Sangre", premiado no Festival de Cannes do ano passado. O suplemento é encerrado com um perfil de oito personalidades do cinema latino-americano: os atores Julio Chávez e Gastón Pauls, da Argentina, e os diretores Jorge Hernández Aldana, da Venezuela, Jorge Olguín, do Chile, Orlando Pardo, da Colômbia, Francisco Vargas, do México, e Eduardo Valente, do Brasil.

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