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Revista 'Filme Cultura' volta a circular no País

Nova edição terá artigo de Cacá Diegues antigos textos de Paulo Emílio Salles Gomes

27 de abril de 2010 | 14h59

Julia Baptista, do estadao.com.br

 

SÃO PAULO -  O número 50 da revista Filme Cultura, a mais longa sobre cinema no Brasil, será lançado nesta terça, 27, às 18h30, na Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio. A atual edição pretende trazer de volta a boa e velha crítica de cinema. "A crítica da imprensa brasileira é praticamente uma prestação de serviço ao espectador", opina Gustavo Dahl, gerente do  Centro Técnico do Audiovisual (CTAv), órgão ligado ao Ministério da Cultura, responsável pela publicação, em parceria com a Petrobrás.

 

 

A antiga revista tinha uma capa inspirada na francesa Cahiers du Cinéma. Financiada pelo Estado brasileiro por 22 anos interruptos, Filme Cultura, que deixou de circular em novembro 1988, na edição 48, teve um forte corpo de editores, redatores e colaboradores, onde figuraram nomes como Paulo Emílio Salles Gomes, Antonio Moniz Vianna, Jean Claude-Bernadet e Ismail Xavier.

 

Agora, ideia do projeto é dar ênfase ao cinema brasileiro, "mas com um olhar para o que acontece lá fora", diz Dahl. "A reflexão brasileira sobre o cinema brasileiro é mais urgente do que a reflexão brasileira sobre o cinema internacional", acrescenta. Quando surgiu, em 1966, a Filme Cultura tinha como proposta "ser fiel ao conceito da universalidade do cinema e integrar os problemas da produção brasileira na perspectiva dessa visão maior", como escreveu no primeiro editorial o crítico Flavio Tambellini, idealizador do projeto.

 

Se na década de 60 as poucas revistas de cinema direcionadas para um público refinado, com exceção de Filme Cultura, não conseguiam emplacar e tinham vida curta, hoje elas pipocam pela internet e por centros acadêmicos.

 

Mas, para o ministro da Cultura (MinC), Juca Ferreira, as publicações ainda estão muito focadas nos aspectos econômicos e de política corporativa do cinema brasileiro. Para Ferreira, falta reflexão teórica sobre a produção do país. "Foi dele, quando ainda era secretário-executivo do MinC, a iniciativa de propor o lançamento de um veículo voltado para a discussão sobre o conteúdo estético da cinematografia nacional", conta Dahl. O novo projeto pretende resgatar o papel da crítica cinematográfica, valorizar as relações com o público e buscar ver o cinema brasileiro num universo midiático, diz o CTAv.

 

Cada edição terá um eixo temático. Com o tema "Cinema Brasileiro Agora", são, no primeiro número, 18 artigos sobre o cinema feito na Bahia, Ceará, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo. Além da revista, também será lançado o site www.filmecultura.org.br e a coleção histórica em versões fac-símile e microfilmes, em convênio com a Biblioteca Nacional.

 

Nessa primeira edição, há artigo assinado por Cacá Diegues sobre o projeto Cinco Vezes Favela, artigos sobre 3D, animação, documentário e reedição de textos de Paulo Emílio Salles Gomes. A seção Peneira Digital faz uma triagem e a análise das revistas, blogs, sites virtuais sobre cinema.

 

A publicação da Filme Cultura é uma parceria entre o CTAv (Centro Técnico do Audiovisual) e o Instituto Herbert Levy, com patrocínio da Petrobras através dos incentivos da Lei Rouanet. O lançamento será nesta terça-feira, 27, no Rio de Janeiro. A revista será trimestral, será vendida em livrarias, mas poderá ser encontrada também em bibliotecas públicas.

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